ENAMED 2026 · Caderno 02 · questão 10

Questão 10 ENAMED 2026: gabarito provisório comentado

Vacina tríplice viral e autismo: comunicação baseada em evidências

Imunização e hesitação vacinal

A comunicação deve validar a dúvida sem reforçar o mito, explicar a ausência de causalidade entre vacina e TEA e oferecer vacinação segura.

Enunciado

Menino de 1 ano é levado pelos pais para consulta de puericultura em Unidade Básica de Saúde. Eles referem preocupação com a vacina tríplice viral e informam que a criança apresentou reações leves após receber aplicações de outras vacinas. Relatam também que, pesquisando sobre o tema em redes sociais, assistiram a vídeos que associavam a vacina tríplice viral ao desenvolvimento do transtorno do espectro autista (TEA). Receosos, hesitam em imunizar o filho. Qual é a abordagem a ser realizada com esses pais?

Alternativas

  1. Explicar que há baixa ocorrência de TEA em crianças vacinadas e encaminhar paciente para a atualização vacinal.
  2. Orientar sobre a importância das vacinas e reforçar a superioridade de seus benefícios em relação à possibilidade de TEA.
  3. Pesquisar sintomas preditores de TEA na criança e, em caso de resultado negativo, continuar o protocolo de vacinação segura.
  4. Acolher a preocupação dos familiares e fornecer informações sobre a ausência de associação entre TEA e vacinas.

Resposta recomendada: Alternativa D

A comunicação deve validar a dúvida sem reforçar o mito, explicar a ausência de causalidade entre vacina e TEA e oferecer vacinação segura.

O que a questão cobra

Avalia comunicação clínica e segurança vacinal diante de desinformação, distinguindo acolhimento e informação baseada em evidências de minimização, triagem indevida de TEA ou falsa relação causal.

Dados que mudam a resposta

  • A dúvida deriva de redes sociais.
  • Reações leves anteriores não são contraindicação automática.
  • A associação MMR-autismo foi refutada por estudos robustos.

Como pensar, passo a passo

  1. Acolher a preocupação e explorar crenças sem julgamento.
  2. Corrigir claramente a falsa associação entre vacina e TEA.
  3. Orientar riscos/benefícios e atualizar o calendário, verificando contraindicações verdadeiras.

Por que cada alternativa está certa ou errada

Alternativa A
Dizer que há baixa ocorrência pode preservar a ideia de que existe causalidade; a mensagem correta é ausência de associação.
Alternativa B
A vacina não deve ser apresentada como se houvesse ‘possibilidade de TEA’; o benefício deve ser comparado aos riscos reais da doença e eventos adversos.
Alternativa C
Triagem de sintomas de TEA não é requisito para vacinação e um resultado negativo não valida a decisão vacinal.
Alternativa Drecomendada
É a abordagem comunicacional e científica adequada: escutar, informar que não há associação e orientar imunização.

Armadilha de prova

Usar linguagem ambígua (‘baixa ocorrência’) que mantém o mito de que vacina poderia causar autismo.

Regra de bolso

Vacinas não causam TEA: acolha, explique a evidência, esclareça eventos adversos reais e vacine.

Se você errou, revise

  • Revisar contraindicações verdadeiras e falsas às vacinas do PNI.
  • Consultar evidências da OMS e estudos sobre MMR e autismo para comunicação com famílias.

Referências

  • Vaccines and immunization: Myths and misconceptions — World Health Organization — https://www.who.int/initiatives/vaccine-safety-net
  • Measles, Mumps, Rubella (MMR) Vaccine Safety — CDC — https://www.cdc.gov/vaccine-safety/vaccines/mmr.html

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