ENAMED 2026 · Caderno 02 · questão 19
Questão 19 ENAMED 2026: gabarito provisório comentado
Gravidez ectópica tubária com beta-hCG em queda
Ginecologia — gravidez ectópica
A paciente preenche perfil de baixo risco para conduta expectante, com beta-hCG já abaixo de 1.000 mUI/mL e em queda, exigindo seguimento seriado rigoroso e pronto acesso à urgência.
Enunciado
Mulher de 23 anos, G2P0A1, com oito semanas pela última menstruação, apresenta dor pélvica leve e pequeno sangramento. Está estável, sem dor à palpação; beta-hCG quantitativo caiu de 1.920 para 700 mUI/mL. A ultrassonografia transvaginal mostra ausência de saco intrauterino e massa anexial esquerda de 2,0 cm com sinal de anel tubário, sem batimento cardíaco fetal ou líquido livre. Qual é a estratégia indicada?
Alternativas
Resposta recomendada: Alternativa A
A paciente preenche perfil de baixo risco para conduta expectante, com beta-hCG já abaixo de 1.000 mUI/mL e em queda, exigindo seguimento seriado rigoroso e pronto acesso à urgência.
O que a questão cobra
Seleção entre manejo expectante, metotrexato e cirurgia na gravidez ectópica tubária estável.
Dados que mudam a resposta
- estabilidade hemodinâmica e dor apenas leve
- beta-hCG caiu de 1.920 para 700 mUI/mL
- massa tubária pequena (2,0 cm), sem batimento fetal
- ausência de hemoperitônio
Como pensar, passo a passo
- Confirmar gravidez ectópica provável pela massa anexial em anel e ausência de gestação intrauterina.
- Verificar que não há ruptura, instabilidade, batimento embrionário ou grande massa que imponham cirurgia.
- Reconhecer o beta-hCG atual baixo e em queda, cenário em que a resolução espontânea é provável.
- Escolher dosagens seriadas até negativação, com retorno imediato se dor, síncope ou sangramento aumentar.
Por que cada alternativa está certa ou errada
- Alternativa Arecomendada
- Mais adequada: em paciente clinicamente estável, sem atividade cardíaca, massa pequena e beta-hCG <1.000 mUI/mL em declínio, o seguimento expectante é aceito por diretrizes, desde que a adesão seja confiável.
- Alternativa B
- Incorreta: cirurgia é necessária diante de instabilidade, ruptura, hemoperitônio relevante, contraindicação ao tratamento clínico ou falha terapêutica; nada disso está presente.
- Alternativa C
- Possível em muitos protocolos (massa <3,5 cm, sem batimento e hCG <5.000), mas não é a melhor primeira escolha quando o hCG já está em 700 e caindo rapidamente; expõe a paciente sem necessidade clara.
- Alternativa D
- Incorreta: aspiração uterina pode ajudar a diferenciar aborto intrauterino de ectópica de localização desconhecida, mas aqui há massa tubária característica e o manejo expectante é suficiente.
Armadilha de prova
Aplicar automaticamente os critérios de elegibilidade do metotrexato sem considerar que beta-hCG baixo e em queda favorece resolução espontânea.
Regra de bolso
Ectópica estável + massa pequena + sem batimento + hCG baixo e descendente = expectante com beta-hCG seriado.
Se você errou, revise
- Revisar os critérios de manejo expectante e o intervalo de monitorização do beta-hCG.
- Comparar contraindicações e indicações de metotrexato e cirurgia na ectópica.
Referências
- ACOG Practice Bulletin No. 193: Tubal Ectopic Pregnancy, https://doi.org/10.1097/AOG.0000000000002560
- NICE NG126: Ectopic pregnancy and miscarriage — diagnosis and initial management, https://www.nice.org.uk/guidance/ng126
Próximo passo
Quer estimar sua nota no ENAMED 2026?
Responda uma amostra equilibrada e veja sua nota aproximada, seu desempenho por área e o que revisar primeiro.
Gabarito provisório, sujeito à publicação oficial do Inep.