Resposta correta: alternativa A. Tema: propedêutica da disfagia progressiva e papel de endoscopia, esofagograma, manometria e impedanciometria.
Enunciado
WEF, 42 anos, sexo feminino, bancária, vem apresentando disfagia desde há seis anos. No
início, a disfagia se manifestava somente com sólidos, deglutidos em porções maiores, mas
progrediu para dificuldade de ingestão até de água. Apresentou perda ponderal de cerca de
três quilos, nos últimos seis meses. Sobre a propedeutica para esse caso, e os achados
possíveis, qual das afirmativas abaixo está ERRADA:
esofagoscopia é o exame principal, pois permite avaliar diretamente a função
peristáltica do esôfago.
impedanciometria esofágica pode auxiliar na avaliação, mostrando a distensibilidade
do órgão durante a deglutição.
manometria esofágica é um exame importante que pode demonstrar o relaxamento
incompleto do esfíncter esofagiano inferior.
O esofagograma baritado é pouco invasivo e pode demonstrar estenose na porção distal
e retardo do esvaziamento.
Gabarito oficial
A alternativa correta é a A: A esofagoscopia é o exame principal, pois permite avaliar diretamente a função
peristáltica do esôfago.
Correção comentada
Em revisão · passível de atualização
O quadro sugere acalásia; a alternativa errada é dizer que a esofagoscopia avalia diretamente a peristalse, pois a manometria de alta resolução é o exame de referência para motilidade, enquanto endoscopia e esofagograma têm papéis complementares.
O que a questão cobra
A questão testa se o candidato reconhece o padrão de disfagia progressiva para sólidos e líquidos e sabe o papel específico de endoscopia, manometria e esofagograma na investigação da acalásia. A pegadinha é atribuir à endoscopia uma função fisiológica que pertence à manometria.
Pistas do enunciado
Disfagia de longa evolução que progride até líquidos sugere distúrbio motor esofágico.
Perda ponderal discreta não exclui acalásia, mas obriga excluir obstrução mecânica/pseudoacalásia.
Relaxamento incompleto do esfíncter esofagiano inferior é achado típico à manometria.
Esofagograma pode mostrar retenção de contraste e afilamento distal em bico de pássaro.
Raciocínio
Primeiro, reconhecer acalásia como hipótese central pelo padrão de disfagia para sólidos e líquidos.
Segundo, separar exames anatômicos de exames funcionais: endoscopia avalia mucosa/lúmen e exclui lesões mecânicas; manometria mede pressões e peristalse.
Terceiro, lembrar que a manometria de alta resolução é o padrão para confirmar e classificar acalásia.
Quarto, interpretar o esofagograma como exame complementar capaz de mostrar esvaziamento retardado, dilatação e afilamento distal.
Logo, a afirmação A é a errada porque atribui à esofagoscopia avaliação direta da função peristáltica.
Armadilha de prova
Confundir visualização endoscópica do lúmen com mensuração fisiológica da peristalse.
Regra para lembrar
Acalásia: endoscopia exclui obstrução; manometria mede motilidade; esofagograma mostra esvaziamento.
Se você errou, revise
Papel da endoscopia na disfagia.
Critérios manométricos de acalásia.
Achados clássicos do esofagograma.
Diferença entre exame anatômico e funcional.
Tema central
Propedêutica da acalásia e diferenciação entre avaliação anatômica e motora do esôfago
Alternativa por alternativa
A · correta
Errada e, portanto, gabarito. A esofagoscopia é importante para excluir obstrução mecânica e pseudoacalásia e pode mostrar retenção de alimentos, dilatação e resistência na junção esofagogástrica, mas não mede diretamente a peristalse. Motilidade é avaliada por manometria.
B · incorreta
Aceitável. Métodos de impedância/planimetria podem contribuir para avaliar distensibilidade da junção esofagogástrica e trânsito, embora não substituam a manometria como padrão diagnóstico de distúrbio motor.
C · incorreta
Correta. A manometria pode mostrar falha de relaxamento da junção esofagogástrica e aperistalse, além de permitir classificação manométrica.
D · incorreta
Correta. O esofagograma baritado é pouco invasivo e pode demonstrar esvaziamento retardado, coluna de bário persistente e estreitamento distal em bico de pássaro.
Diretriz vigente na época da prova
À época da prova, a abordagem contemporânea já estabelecia endoscopia para excluir causas mecânicas, esofagograma como exame complementar e manometria de alta resolução como padrão para diagnóstico/classificação da acalásia.
Vaezi MF et al. ACG Clinical Guidelines: Diagnosis and Management of Achalasia. Am J Gastroenterol. 2020;115:1393-1411.
Gyawali CP et al. ACG Clinical Guidelines: Clinical Use of Esophageal Physiologic Testing. Am J Gastroenterol. 2020;115:1412-1428.
Como a recomendação está hoje
Em 2026, o princípio permanece: manometria de alta resolução é central para motilidade; endoscopia exclui pseudoacalásia/obstrução; esofagograma cronometrado complementa a avaliação do esvaziamento e pode ser útil no seguimento.
Duy L et al. Beyond visualizing the bird beak: esophagram, timed barium esophagram and manometry in achalasia and its 3 subtypes. Abdom Radiol. 2025;50:1488-1497.
O que mudou — e o que não mudou
Não houve mudança que altere o gabarito. A diferença atual é maior refinamento com manometria de alta resolução e uso mais padronizado do esofagograma cronometrado.
Fonte oficial
AREMG / PSU Minas Gerais · Processo Seletivo Unificado de Residência Médica de Minas Gerais — PSU MG 2025 — Prova Geral Tipo 1.