No delirium tremens, o manejo exige monitorização, correção hidroeletrolítica, hidratação individualizada, benzodiazepínico e prevenção/tratamento da deficiência de tiamina; por isso, a alternativa C é a correta.
O que a questão cobra
A questão cobra a abordagem da síndrome de abstinência alcoólica grave, especialmente do delirium tremens. O quadro costuma surgir após redução ou interrupção importante do consumo de álcool e combina alteração do estado mental, desorientação, agitação, alucinações, tremor, hiperatividade autonômica, febre e risco de convulsões. É uma emergência médica: além de ambiente protegido e monitorização, deve-se tratar a hiperatividade GABAérgica reduzida com benzodiazepínicos titulados à gravidade, pesquisar e corrigir hipoglicemia e distúrbios eletrolíticos, manter hidratação sem sobrecarga e administrar tiamina antes ou junto da oferta de glicose quando houver risco de deficiência, para reduzir o risco de encefalopatia de Wernicke. A dose e a via dependem do estado clínico e do protocolo local.
Pistas do enunciado
- Delirium tremens é abstinência alcoólica grave, não um delirium primariamente psicótico.
- Benzodiazepínicos são o tratamento de primeira linha e devem ser titulados conforme sintomas e segurança.
- Convulsões de abstinência não são tratadas rotineiramente com fenitoína como estratégia principal.
- Tiamina é essencial em pessoas com uso crônico de álcool e risco nutricional; investigar Wernicke faz parte do cuidado.
- Agitação e risco de auto/heteroagressão exigem segurança, mas contenção e antipsicótico não substituem benzodiazepínico.
Raciocínio
- Identifique o tema como abstinência alcoólica complicada por delirium, uma condição potencialmente fatal.
- Priorize suporte: via aérea quando necessário, monitorização, glicemia, temperatura, sinais vitais, acesso venoso e investigação de causas associadas.
- Use benzodiazepínico como tratamento etiológico da hiperexcitabilidade; ajustar pela resposta clínica e pelo risco de depressão respiratória.
- Corrija eletrólitos, desidratação e hipoglicemia com cautela; administrar tiamina em pacientes em risco, idealmente antes da glicose quando isso não atrasar o tratamento de uma hipoglicemia grave.
- Considere antipsicótico apenas como adjuvante em agitação ou psicose persistente após benzodiazepínico, nunca como substituto de primeira linha.
- Reavalie continuamente, pois delirium tremens pode evoluir com convulsões, hipertermia, arritmias, aspiração e falência orgânica.
Armadilha de prova
A principal armadilha é escolher uma conduta que apenas seda o paciente. No delirium tremens, sedação sem tratar a abstinência é insuficiente; benzodiazepínico e suporte clínico são centrais. Outra armadilha é confundir convulsão de abstinência com indicação rotineira de fenitoína.
Regra para lembrar
Delirium tremens = suporte + benzodiazepínico titulado + tiamina + correção de causas reversíveis; antipsicótico é apenas adjuvante.
Se você errou, revise
- Cronologia e gravidade da síndrome de abstinência alcoólica.
- Benzodiazepínicos, escalas/protocolos de titulação e monitorização respiratória.
- Indicações e limitações de antipsicóticos e fenitoína.
- Prevenção e reconhecimento de encefalopatia de Wernicke.