Cirurgia

Questão 39 — ENARE 2023/2024 — Tipo 1

Resposta correta: alternativa A. Tema: manejo inicial conservador da obstrução de intestino delgado com hidratação, correção eletrolítica e descompressão nasogástrica.

Enunciado

Um paciente de 65 anos apresenta dor, distensão abdominal e vômitos repetidos há 2 dias. Não evacua e não elimina flatos há 3 dias. Os exames de imagem mostram distensão de intestino delgado e fezes em reto. Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta inicial para tratamento desse paciente.

  1. Coletar exames laboratoriais para detectar se há distúrbios hidroeletrolíticos e efetuar passagem de sonda nasogástrica para drenagem e hidratação.
  2. Indicar laparotomia exploradora para melhor diagnosticar e tratar o paciente, já que ele apresenta o quadro há mais de 2 dias.
  3. Coletar exames laboratoriais para detectar se há sinais de infecção associada; passar sonda nasoenteral para alimentação pós-pilórica e iniciar antibióticos de forma profilática.
  4. Conversar com os familiares e indicar laparotomia exploradora com ileostomia associada, pois, nesses casos de distensão grande do delgado, não é recomendada anastomose primária.
  5. Coletar exames laboratoriais; realizar tomografia para melhor avaliação e, a seguir, encaminhar o paciente para cirurgia, pois a maior parte desses casos é solucionada por meio de cirurgia.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a A: Coletar exames laboratoriais para detectar se há distúrbios hidroeletrolíticos e efetuar passagem de sonda nasogástrica para drenagem e hidratação.

Correção comentada

Revisado editorialmente

Na ausência de peritonite, isquemia ou estrangulamento descritos, a conduta inicial para obstrução do delgado é ressuscitação volêmica/correção eletrolítica, jejum e descompressão nasogástrica — alternativa A.

O que a questão cobra

A questão cobra prioridade inicial na obstrução intestinal e evita a ideia de que 'obstrução = laparotomia imediata'. Muitos pacientes com obstrução adesiva sem sinais de complicação podem começar com tratamento não operatório: reposição de volume e eletrólitos, jejum, descompressão nasogástrica quando há vômitos/distensão, analgesia e avaliação seriada. Tomografia é muito útil para definir ponto de transição, causa e sinais de isquemia, mas a alternativa E erra ao afirmar que a maior parte desses casos será resolvida por cirurgia. Operação precoce é indicada quando há peritonite, estrangulamento/isquemia, perfuração ou falha do manejo conservador.

Pistas do enunciado

  • Vômitos repetidos favorecem perda de volume e eletrólitos.
  • Distensão do delgado e obstipação sustentam obstrução mecânica.
  • Não há descrição de peritonite, febre, choque ou sinais de isquemia.
  • Fezes no reto não excluem obstrução recente porque conteúdo distal pode permanecer após o início do bloqueio.
  • A pergunta pede conduta inicial, não tratamento definitivo de todos os casos.

Raciocínio

  1. Estabilize primeiro: acesso venoso, avaliação laboratorial e reposição de perdas.
  2. Mantenha jejum e use sonda nasogástrica quando vômitos/distensão justificam descompressão.
  3. Procure ativamente sinais que mudam para cirurgia urgente: dor contínua intensa, peritonite, lactato/acidose, sofrimento de alça, pneumoperitônio ou instabilidade.
  4. Use TC quando necessário para etiologia e gravidade; ela complementa, não substitui ressuscitação inicial.
  5. Sem sinais de complicação, a alternativa A descreve melhor a primeira etapa.

Armadilha de prova

A presença de fezes no reto pode confundir, mas não exclui obstrução: o segmento distal pode ainda conter conteúdo. Outra pegadinha é confundir 'precisa de avaliação cirúrgica' com 'precisa ser operado imediatamente'.

Regra para lembrar

Obstrução sem estrangulamento: primeiro ressuscite, deixe em jejum e descomprima; opere se complicar ou não resolver.

Se você errou, revise

  • manejo inicial da obstrução intestinal
  • sinais de isquemia/estrangulamento
  • papel da tomografia
  • indicações de tratamento não operatório

Alternativa por alternativa

A · correta

Correta. Corrige volume/eletrólitos e descomprime o trato gastrointestinal, que são pilares do manejo inicial.

B · incorreta

Incorreta. Duração de dois dias, isoladamente, não é indicação automática de laparotomia.

C · incorreta

Incorreta. Sonda nasoenteral para alimentação não faz sentido em um intestino obstruído e antibiótico profilático universal não é indicado.

D · incorreta

Incorreta. Ileostomia não é consequência automática da distensão e a decisão cirúrgica depende de causa/viabilidade intestinal.

E · incorreta

TC pode ser útil, mas a afirmação de que a maior parte será resolvida por cirurgia torna a alternativa inadequada para manejo inicial sem sinais de complicação.

Fonte oficial

EBSERH / Instituto AOCP · Exame Nacional de Residência — ENARE 2023/2024 — Acesso Direto — Tipo 1.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/ensino-e-pesquisa/exame-nacional-de-residencia-enare/edicoes-anteriores/2023-2024/provas
  • https://site-medway.s3.sa-east-1.amazonaws.com/wp-content/uploads/sites/5/2023/12/22111553/ENARE-2024-Objetiva-R1.pdf

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