Cirurgia

Questão 33AMB/AMRIGS 2025 — Acesso Direto

Resposta correta: alternativa B. Tema: ressuscitação hemostática e ácido tranexâmico no trauma hemorrágico.

Enunciado

Homem, 28 anos, é vítima de acidente automobilístico por colisão frontal com caminhão. Apresenta-se no pronto-socorro com múltiplos ferimentos por vidro na região abdominal e instabilidade hemodinâmica. Sinais vitais na admissão: FC 130 bpm, PA 85/50 mmHg, tempo de enchimento capilar prolongado e extremidades frias. Gasometria: pH 7,15, BE -12, lactato 4,8 mmol/L e T 34,2 °C. FAST positivo para líquido livre. Após ressuscitação inicial com cristaloide, concentrado de hemácias e plasma, mantém instabilidade. Na laparotomia há hemoperitônio de cerca de 2.000 mL, laceração hepática grau IV com sangramento ativo difuso, lesão esplênica grau III, laceração jejunal >50% e avulsão do mesossigmoide com perfuração/isquemia e contaminação fecal. Considerando as condutas nas diferentes fases do atendimento, assinale a alternativa correta.

  1. tromboelastografia identifica trombocitopenia e hiperfibrinólise, mas o tempo até o resultado impede seu uso no atendimento inicial.
  2. O ácido tranexâmico é um inibidor da fibrinólise e administrá-lo precocemente está associado à redução da mortalidade por sangramento sem aumentar significativamente o risco de eventos tromboembólicos.
  3. Na cirurgia de urgência, devem ser feitas rafia hepática, esplenectomia, ressecção jejunal com anastomose e ressecção do sigmoide com anastomose primária.
  4. expansão volêmica com cristaloide está indicada no transoperatório enquanto se aguardam hemograma e coagulograma para decidir sobre nova transfusão.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a B: O ácido tranexâmico é um inibidor da fibrinólise e administrá-lo precocemente está associado à redução da mortalidade por sangramento sem aumentar significativamente o risco de eventos tromboembólicos.

Correção comentada

Revisado editorialmente

B é correta. O ácido tranexâmico inibe a fibrinólise e, no trauma hemorrágico, o benefício é maior quando administrado precocemente, idealmente até 3 horas. O cenário descrito é de choque hemorrágico e coagulopatia da tríade letal, favorecendo cirurgia de controle de danos, transfusão balanceada e correção fisiológica, em vez de reparos definitivos prolongados.

Tema central

Choque hemorrágico grave, ressuscitação hemostática, ácido tranexâmico e cirurgia de controle de danos.

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. TEG/ROTEM avalia formação, força e lise do coágulo e pode orientar ressuscitação em tempo útil; não é inviável por lentidão intrínseca.

B · correta

Correta. TXA precoce em trauma com hemorragia significativa reduz morte relacionada a sangramento, com benefício fortemente dependente da janela temporal.

C · incorreta

Incorreta. Reconstrução definitiva longa em paciente acidótico, hipotérmico e em choque aumenta risco; aqui se impõe damage control.

D · incorreta

Incorreta. Grandes volumes de cristaloide agravam hemodiluição, hipotermia e coagulopatia; não se deve esperar exames convencionais para começar ressuscitação hemostática.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, diretrizes de trauma já recomendavam TXA o mais cedo possível em pacientes com hemorragia significativa, ressuscitação balanceada/hemostática, minimização de cristaloide e cirurgia de controle de danos diante de acidose, hipotermia e choque persistente.

  • Spahn DR et al. European guideline on major bleeding and coagulopathy following trauma, 6th ed. Crit Care. 2023;27:80.

Como a recomendação está hoje

A prática atual mantém esses princípios e reforça o papel de sangue total ou componentes em protocolos estruturados, correção de hipocalcemia e testes viscoelásticos quando disponíveis. TXA continua tempo-dependente e não deve ser iniciado tardiamente sem indicação.

  • Diretrizes contemporâneas de trauma e hemorragia maciça; ACS/ATLS e European trauma bleeding guidance.

O que mudou — e o que não mudou

Não houve reversão do manejo desde 2025. O refinamento atual está em protocolos mais fisiológicos e guiados por metas, mas o núcleo da resposta B — TXA precoce e controle de danos no choque hemorrágico — permanece válido.

Fonte oficial

AMB / AMRIGS / ACM / AMMS · Prova AMB, AMRIGS, ACM e AMMS 01/2025 — Residência com Acesso Direto e Autoavaliação.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://www.amrigs.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Prova-AMB-AMRIGS-2025.pdf
  • https://www.amrigs.org.br/prova/
  • https://doi.org/10.1016/S0140-6736(10)60835-5

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