A · incorreta
Incorreta. Mais transfusão não trata a pressão mecânica abdominal e pode piorar edema se não houver hemorragia ativa que a justifique.
Resposta correta: alternativa D. Tema: síndrome compartimental abdominal e laparotomia descompressiva.
Homem, 32 anos, vítima de acidente automobilístico, chega inconsciente, com trauma abdominal contuso e fratura de pelve. Foi submetido à laparotomia de urgência para controle de hemorragia hepática e esplênica, com rafia hepática e esplenectomia, fixação externa da pelve e transfusão de concentrado de hemácias/plasma. Após 18 horas, está sedado e em ventilação mecânica, necessitando aumento da pressão inspiratória; débito urinário 15 mL/h nas últimas 4 horas, noradrenalina para PAM >65 mmHg, FC 115 bpm. Gasometria: pH 7,28, PaCO2 48 mmHg, HCO3- 18 mEq/L, BE -8, lactato 4,2 mmol/L. Pressão intra-abdominal aferida pela bexiga: 36 cmH2O (26,5 mmHg). Qual é a medida indicada?
A alternativa correta é a D: Proceder à laparotomia.
Revisado editorialmente
D é indicada. Pressão intra-abdominal de 26,5 mmHg associada a oligúria, piora ventilatória e disfunção circulatória caracteriza síndrome compartimental abdominal, cuja medida definitiva é descompressão cirúrgica. Manitol ou salina hipertônica não resolvem a causa mecânica, e transfusão maciça não é indicada sem hemorragia ativa que a justifique.
Síndrome compartimental abdominal: diagnóstico por pressão intra-abdominal + disfunção orgânica e indicação de descompressão.
Incorreta. Mais transfusão não trata a pressão mecânica abdominal e pode piorar edema se não houver hemorragia ativa que a justifique.
Incorreta. Manitol não corrige a fisiopatologia da síndrome compartimental abdominal e pode agravar distúrbios volêmicos/eletrolíticos.
Incorreta. Salina hipertônica não é tratamento definitivo da compressão abdominal e não substitui descompressão quando há falência orgânica.
Correta. PIA >20 mmHg com disfunção respiratória, renal e cardiovascular caracteriza síndrome compartimental e indica descompressão quando o quadro é persistente/progressivo.
Em 2025, os critérios da World Society of the Abdominal Compartment Syndrome já definiam ACS como pressão intra-abdominal sustentada acima de 20 mmHg associada a nova disfunção orgânica. Medidas não operatórias eram recomendadas precocemente, mas descompressão cirúrgica permanecia indicada em ACS manifesta e refratária.
A prática atual mantém os mesmos critérios conceituais e enfatiza prevenção de sobrecarga volêmica, drenagem de coleções quando aplicável, otimização da complacência abdominal e reconhecimento precoce. Quando a falência orgânica persiste apesar das medidas menos invasivas, laparotomia descompressiva continua sendo o tratamento definitivo.
O conceito permanece estável desde a época da prova. As evoluções são principalmente de estratégia preventiva e manejo do abdome aberto; o critério diagnóstico e a necessidade de descompressão em ACS refratária continuam válidos.
AMB / AMRIGS / ACM / AMMS · Prova AMB, AMRIGS, ACM e AMMS 01/2025 — Residência com Acesso Direto e Autoavaliação.
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