Cirurgia

Questão 40AMB/AMRIGS 2025 — Acesso Direto

Resposta correta: alternativa D. Tema: síndrome compartimental abdominal e laparotomia descompressiva.

Enunciado

Homem, 32 anos, vítima de acidente automobilístico, chega inconsciente, com trauma abdominal contuso e fratura de pelve. Foi submetido à laparotomia de urgência para controle de hemorragia hepática e esplênica, com rafia hepática e esplenectomia, fixação externa da pelve e transfusão de concentrado de hemácias/plasma. Após 18 horas, está sedado e em ventilação mecânica, necessitando aumento da pressão inspiratória; débito urinário 15 mL/h nas últimas 4 horas, noradrenalina para PAM >65 mmHg, FC 115 bpm. Gasometria: pH 7,28, PaCO2 48 mmHg, HCO3- 18 mEq/L, BE -8, lactato 4,2 mmol/L. Pressão intra-abdominal aferida pela bexiga: 36 cmH2O (26,5 mmHg). Qual é a medida indicada?

  1. Iniciar protocolo de transfusão maciça (1:1:1).
  2. Administrar manitol 20%, EV.
  3. Administrar solução salina hipertônica, EV.
  4. Proceder à laparotomia.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a D: Proceder à laparotomia.

Correção comentada

Revisado editorialmente

D é indicada. Pressão intra-abdominal de 26,5 mmHg associada a oligúria, piora ventilatória e disfunção circulatória caracteriza síndrome compartimental abdominal, cuja medida definitiva é descompressão cirúrgica. Manitol ou salina hipertônica não resolvem a causa mecânica, e transfusão maciça não é indicada sem hemorragia ativa que a justifique.

Tema central

Síndrome compartimental abdominal: diagnóstico por pressão intra-abdominal + disfunção orgânica e indicação de descompressão.

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Mais transfusão não trata a pressão mecânica abdominal e pode piorar edema se não houver hemorragia ativa que a justifique.

B · incorreta

Incorreta. Manitol não corrige a fisiopatologia da síndrome compartimental abdominal e pode agravar distúrbios volêmicos/eletrolíticos.

C · incorreta

Incorreta. Salina hipertônica não é tratamento definitivo da compressão abdominal e não substitui descompressão quando há falência orgânica.

D · correta

Correta. PIA >20 mmHg com disfunção respiratória, renal e cardiovascular caracteriza síndrome compartimental e indica descompressão quando o quadro é persistente/progressivo.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, os critérios da World Society of the Abdominal Compartment Syndrome já definiam ACS como pressão intra-abdominal sustentada acima de 20 mmHg associada a nova disfunção orgânica. Medidas não operatórias eram recomendadas precocemente, mas descompressão cirúrgica permanecia indicada em ACS manifesta e refratária.

  • Kirkpatrick AW et al. Intensive Care Med. 2013;39:1190-1206.

Como a recomendação está hoje

A prática atual mantém os mesmos critérios conceituais e enfatiza prevenção de sobrecarga volêmica, drenagem de coleções quando aplicável, otimização da complacência abdominal e reconhecimento precoce. Quando a falência orgânica persiste apesar das medidas menos invasivas, laparotomia descompressiva continua sendo o tratamento definitivo.

  • WSACS consensus definitions e revisões contemporâneas de manejo de IAH/ACS.

O que mudou — e o que não mudou

O conceito permanece estável desde a época da prova. As evoluções são principalmente de estratégia preventiva e manejo do abdome aberto; o critério diagnóstico e a necessidade de descompressão em ACS refratária continuam válidos.

Fonte oficial

AMB / AMRIGS / ACM / AMMS · Prova AMB, AMRIGS, ACM e AMMS 01/2025 — Residência com Acesso Direto e Autoavaliação.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://www.amrigs.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Prova-AMB-AMRIGS-2025.pdf
  • https://www.amrigs.org.br/prova/
  • https://doi.org/10.1186/s13017-023-00515-y

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