Ginecologia e Obstetrícia

Questão 56AMB/AMRIGS 2025 — Acesso Direto

Resposta correta: alternativa C. Tema: indução do parto após óbito fetal com colo desfavorável.

Enunciado

Gestante, 32 anos, 36 semanas, G3P2, relata ausência de movimentos fetais há 3 dias. Ultrassonografia confirma ausência de batimentos cardíacos fetais; apresentação cefálica, placenta corporal fúndica, sem infecção ou coagulopatia, Bishop 4. A paciente deseja resolução rápida. Qual é a conduta inicial mais adequada?

  1. Realizar cesariana imediatamente para remoção do feto.
  2. Optar por conduta expectante por até 4 semanas.
  3. Induzir o parto com misoprostol vaginal e reavaliar a cada 4 horas.
  4. Internar e iniciar indução com ocitocina intravenosa.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a C: Induzir o parto com misoprostol vaginal e reavaliar a cada 4 horas.

Correção comentada

Revisado editorialmente

C é correta. Após confirmação de óbito fetal, sem hemorragia, infecção ou coagulopatia, a via vaginal é preferida na maioria dos casos. Com colo desfavorável, misoprostol é método eficaz de indução; cesariana não oferece benefício fetal e aumenta morbidade materna. A dose e o intervalo devem seguir protocolo obstétrico.

Tema central

Indução do parto após óbito fetal tardio

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Cesariana não é tratamento de rotina do óbito fetal e deve ser reservada para circunstâncias maternas específicas, pois acrescenta morbidade cirúrgica sem benefício fetal.

B · incorreta

Incorreta. Conduta expectante pode ser discutida em situações selecionadas, mas não atende ao desejo de resolução rápida e prolonga uma gestação com óbito já confirmado.

C · correta

Correta na prova. Com colo desfavorável e sem cicatriz uterina mencionada, misoprostol pode ser usado para amadurecimento cervical dentro de protocolo de indução; após 28 semanas, a dose deve seguir esquemas obstétricos usuais e não os regimes mais altos empregados em idades gestacionais menores.

D · incorreta

Menos adequada como primeira medida isolada diante de Bishop 4. Ocitocina pode integrar a indução, mas um colo desfavorável costuma se beneficiar de amadurecimento cervical prévio ou concomitante conforme protocolo.

Diretriz vigente na época da prova

Na época da prova, a recomendação consolidada era priorizar parto vaginal após óbito fetal, reservando cesariana para indicação materna. Após 28 semanas, métodos de indução deveriam seguir protocolos obstétricos de terceiro trimestre e considerar o histórico de cicatriz uterina.

  • ACOG/SMFM Management of Stillbirth, 2020, vigente em 2025.

Como a recomendação está hoje

Em 2026, o princípio permanece: evitar cesariana sem indicação materna, usar amadurecimento cervical quando necessário e escolher prostaglandina/ocitocina conforme idade gestacional, Bishop e cicatriz uterina. Dose de misoprostol não deve ser extrapolada de esquemas de idades gestacionais menores.

  • ACOG/SMFM e protocolos obstétricos vigentes em 2026.

O que mudou — e o que não mudou

Sem mudança central entre a prova e a prática atual. A ressalva contemporânea é evitar ensinar uma dose fixa fora do contexto: em 36 semanas, o método deve obedecer protocolo de indução de terceiro trimestre e histórico uterino.

Fonte oficial

AMB / AMRIGS / ACM / AMMS · Prova AMB, AMRIGS, ACM e AMMS 01/2025 — Residência com Acesso Direto e Autoavaliação.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://www.amrigs.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Prova-AMB-AMRIGS-2025.pdf
  • https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK615641/
  • https://www.who.int/health-topics/stillbirth

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