Cirurgia

Questão 4 — USP-RP 2026 — Acesso Direto (R1)

Resposta correta: alternativa B. Tema: manejo do pneumotórax espontâneo secundário com fístula aérea persistente.

Enunciado

Homem de 58 anos, tabagista de 40 anos/maço, com diagnóstico conhecido de DPOC grave, faz uso contínuo de oxigênio domiciliar (2 L/min) e broncodilatadores de longa ação. Apresenta dor torácica súbita de início noturno e dispneia em repouso. Ao exame físico, murmúrio vesicular abolido em hemitórax esquerdo, timpanismo à percussão e tiragem subcostal. Radiografia de tórax revela pneumotórax espontâneo à esquerda, com colapso parcial do pulmão. É realizada drenagem pleural com selo d’água. Mesmo após 72 horas de drenagem, persiste fuga aérea contínua, e a radiografia de controle mostra ausência de expansão pulmonar significativa. O paciente permanece estável, sem febre ou sinais de infecção. Qual a conduta mais adequada neste momento?

  1. Realizar broncoscopia com instilação de cola biológica no brônquio segmentar afetado.
  2. Realizar videotoracoscopia com ressecção de bolhas subpleurais e pleurodese mecânica.
  3. Realizar pleurodese química com talco através do dreno torácico.
  4. Retirar o dreno e manter seguimento ambulatorial com radiografias seriadas.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a B: Realizar videotoracoscopia com ressecção de bolhas subpleurais e pleurodese mecânica.

Correção comentada

Revisado editorialmente

Fuga aérea persistente além de 72 h em pneumotórax secundário (DPOC): VATS com ressecção de bolhas e pleurodese.

O que a questão cobra

Manejo do pneumotórax espontâneo secundário com fístula aérea persistente.

Raciocínio

  1. O paciente tem DPOC grave, o que caracteriza pneumotórax espontâneo secundário, que tem maior risco de recidiva e menor tolerância clínica.
  2. A fuga aérea persiste após 72 h de drenagem, com pulmão sem expandir, o que indica falha do tratamento conservador.
  3. Nesse cenário, a indicação é cirúrgica: videotoracoscopia com ressecção das bolhas e pleurodese para tratar a causa e prevenir recidiva.
  4. O paciente está estável e sem infecção, o que permite o procedimento.

Armadilha de prova

Tentar pleurodese química no dreno e esperar, em vez de operar a fístula persistente.

Regra para lembrar

Fuga aérea > 3 a 5 dias ou pulmão que não expande = VATS.

Se você errou, revise

  • Revise o pneumotórax primário e secundário.
  • Revise as indicações cirúrgicas no pneumotórax.

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. A cola biológica broncoscópica é alternativa para quem não pode operar e não é a conduta de primeira linha em paciente estável.

B · correta

Correta. Fuga aérea persistente além de 72 h em pneumotórax secundário (DPOC): VATS com ressecção de bolhas e pleurodese.

C · incorreta

Incorreta. A pleurodese química pelo dreno não resolve fístula aérea ativa e não expande o pulmão.

D · incorreta

Incorreta. Retirar o dreno com fuga e pulmão colapsado levaria à piora clínica.

Fonte oficial

HCFMRP-USP / COREME · Residência Médica HCFMRP-USP 2026 — Programas de Acesso Direto (R1) — Prova Objetiva.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://extranet.hcrp.usp.br/novorh/arquivos/3234/E32342011202518298.pdf
  • https://extranet.hcrp.usp.br/novorh/arquivos/3234/E323420112025190856.pdf

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