Resposta correta: alternativa D. Tema: Rastreamento em Adultos.
Enunciado
Homem de 52 anos, branco, solteiro, sem acompanhamento desde os 35 anos. História familiar de diabetes, hipertensão e mãe com câncer de pulmão. Tabagista 2 maços/dia por 21 anos. PA 120x80 mmHg, IMC 23 kg/m². Sem outras alterações. Considerando as recomendações de rastreamento para esse paciente, o médico de família e comunidade deve:
solicitar exames de colesterol total e frações, hemograma, glicemia de jejum, creatinina, PSA, radiografia de tórax, colonoscopia, realizar toque retal; orientar sobre a prática de atividade física regular.
solicitar exames de colesterol total, glicemia de jejum, pesquisa de sangue oculto nas fezes, PSA, ofertar anti-HIV e HBsAg, realizar toque retal; orientar sobre participação no grupo na UBS para abandono do tabagismo.
abordar mudanças no estilo de vida e cessação do tabagismo; acompanhar, em consultas longitudinais, as futuras possibilidades de exames complementares quando o paciente atingir faixa etária para investigações adicionais.
solicitar exames de colesterol total, HDL e triglicerídeos, glicemia de jejum, pesquisa de sangue oculto nas fezes, ofertar testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C; realizar abordagem sobre possibilidade de cessação do tabagismo.
Gabarito oficial
A alternativa correta é a D: solicitar exames de colesterol total, HDL e triglicerídeos, glicemia de jejum, pesquisa de sangue oculto nas fezes, ofertar testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C; realizar abordagem sobre possibilidade de cessação do tabagismo.
Correção comentada
Revisado editorialmente
A conduta correta é solicitar rastreios indicados para a idade: perfil lipídico, glicemia de jejum, pesquisa de sangue oculto nas fezes, ofertar testes rápidos para ISTs e abordar cessação do tabagismo. Não há indicação de PSA sem decisão compartilhada.
Achados-chave
52 anos
tabagismo 2 maços/dia por 21 anos
história familiar de diabetes e hipertensão
mãe com câncer de pulmão
sem história familiar de câncer de próstata
Como pensar a questão
Paciente de 52 anos, tabagista, sem acompanhamento prévio.
Ofertar testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C é razoável.
Abordar cessação do tabagismo é essencial.
PSA e toque retal não são recomendados sem decisão compartilhada.
Conceito central
O rastreamento em adultos visa identificar doenças em estágio inicial, permitindo intervenção precoce. As principais recomendações incluem: hipertensão (medida de PA em todas as consultas), diabetes (glicemia de jejum ou HbA1c a partir de 35 anos), dislipidemia (perfil lipídico em homens >35 anos), câncer colorretal (PSOF ou colonoscopia a partir de 50 anos), câncer de pulmão (TC de baixa dose em tabagistas com carga ≥20 maços-ano), e ISTs (testes rápidos conforme risco). O rastreamento de câncer de próstata com PSA é controverso e deve ser decidido em conjunto com o paciente, considerando riscos e benefícios. O Ministério da Saúde não recomenda rastreamento populacional para câncer de próstata. A abordagem de estilo de vida, incluindo cessação do tabagismo, é fundamental.
Regra de bolso
Rastrear conforme idade e fatores de risco; PSA só com decisão compartilhada.
Tema central
Rastreamento e prevenção em adulto assintomático: selecionar intervenções por idade e risco, evitando check-up indiscriminado
Alternativa por alternativa
A · incorreta
Incorreta. Mistura rastreamentos válidos com exames sem indicação rotineira: hemograma e creatinina não são pedidos universalmente apenas por ausência de consultas; radiografia de tórax não rastreia adequadamente câncer de pulmão; PSA e toque retal não devem ser impostos como rastreamento populacional; colonoscopia pode ser estratégia colorretal, mas não salva o conjunto da alternativa.
B · incorreta
Incorreta como melhor estratégia. Inclui componentes razoáveis — colesterol, glicemia, pesquisa de sangue oculto, oferta de testagem e cessação —, mas acrescenta PSA e toque retal como rotina em homem assintomático, em desacordo com a política brasileira de não rastreamento populacional sistemático do câncer de próstata.
C · incorreta
Incorreta. Mudança de estilo de vida e cessação do tabagismo são fundamentais, mas o paciente já está em faixa etária e contexto em que ações de rastreamento cardiometabólico e colorretal são pertinentes. Adiar toda avaliação complementar é conservador demais.
D · correta
Correta entre as opções. Evita PSA/toque de rotina e exames genéricos sem benefício claro, inclui avaliação metabólica/lipídica, componente de rastreamento colorretal, oferta de testes rápidos para infecções relevantes e abordagem explícita da cessação do tabagismo. A indicação exata de cada teste infeccioso deve ser individualizada, mas o conjunto é o mais alinhado à prevenção baseada em evidência.
Diretriz vigente na época da prova
Na época do ENAMED 2025, a política brasileira já era contrária ao rastreamento populacional sistemático do câncer de próstata com PSA e toque retal, recomendando informação e decisão compartilhada para quem solicitasse investigação individual. A linha de cuidado do diabetes na APS recomendava glicemia de jejum para pessoas com 45 anos ou mais e também em mais jovens com fatores de risco. Para câncer colorretal, estratégias com pesquisa de sangue oculto já eram reconhecidas como opções de rastreamento em adultos na faixa etária pertinente, embora ainda não houvesse o protocolo nacional organizado com FIT que seria anunciado em 2026. Para câncer de pulmão, o INCA não recomendava rastreamento populacional no Brasil e destacava que evidência internacional favorável em grandes fumantes utilizava tomografia computadorizada de baixa dose, e não radiografia de tórax.
Ministério da Saúde/INCA. Nota Técnica — recomendação pelo não rastreamento populacional do câncer de próstata. 2023; posição vigente em 2025.
Ministério da Saúde. Linha de Cuidado do Diabetes Mellitus tipo 2 no adulto — rastreamento na Atenção Primária.
Instituto Nacional de Câncer. Câncer de pulmão — detecção precoce e rastreamento; posição brasileira vigente em 2025.
Como a recomendação está hoje
Em 2026, a mudança mais concreta ocorreu no câncer colorretal: o Ministério da Saúde incorporou o teste imunoquímico fecal (FIT) ao SUS como exame de referência para rastreamento organizado de homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos, com periodicidade bienal. Para próstata, o INCA continua não recomendando exames de rotina como rastreamento populacional e mantém decisão compartilhada quando o paciente busca o teste. Para pulmão, a política nacional segue sem recomendação de programa populacional amplo, embora reconheça benefício de TC de baixa dose em grupos de alto risco segundo diretrizes internacionais. Cessação do tabagismo continua sendo intervenção prioritária.
Instituto Nacional de Câncer. SUS adota novo exame para detectar câncer de intestino antes de sintomas. 21 maio 2026.
Instituto Nacional de Câncer. SUS inclui teste de alta tecnologia para rastreamento de câncer colorretal. 10 agosto 2026.
Instituto Nacional de Câncer. Câncer de próstata — versão para profissionais de saúde; posição de não rastreamento populacional vigente em 2026.
Instituto Nacional de Câncer. Câncer de pulmão — detecção precoce; recomendações vigentes em 2026.
O que mudou — e o que não mudou
A alternativa D continua sendo a melhor, mas a justificativa ficou mais forte em 2026 para o componente colorretal: o SUS passou de recomendações/estratégias menos organizadas para um protocolo nacional com FIT bienal entre 50 e 75 anos. Não houve mudança que torne PSA/toque retal rastreamento populacional de rotina ou radiografia de tórax método adequado para rastrear câncer de pulmão. O princípio central permanece: prevenção de qualidade seleciona intervenções com benefício e evita cascatas diagnósticas desnecessárias.
Fonte oficial
INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.