Medicina Preventiva e Social

Questão 78ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa D. Tema: Saúde da População LGBT.

Enunciado

Homem trans de 21 anos, em processo de afirmação de gênero, procura UBS. Usa binder, busca informações sobre terapia hormonal e cuidados de saúde. Sem sofrimento psíquico intenso, sem sintomas depressivos, ansiosos ou psicóticos. Deseja orientação sobre próximos passos. Qual a conduta mais adequada na atenção básica para esse paciente?

  1. Solicitar avaliação psiquiátrica para diagnóstico de disforia antes do acompanhamento.
  2. Iniciar terapia hormonal na UBS e retorno em 8 semanas.
  3. Encaminhar para serviço especializado e informar que seguimento deve ser com especialista.
  4. Esclarecer que identidade de gênero não é transtorno, oferecer acompanhamento na UBS e orientar cuidados.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a D: Esclarecer que identidade de gênero não é transtorno, oferecer acompanhamento na UBS e orientar cuidados.

Correção comentada

Revisado editorialmente

A conduta correta é acolher o paciente, esclarecer que identidade de gênero não é transtorno mental, oferecer acompanhamento contínuo na UBS e orientar sobre cuidados gerais de saúde. O encaminhamento para serviço especializado deve ser feito em paralelo, se houver desejo de terapia hormonal, mas sem abandonar o vínculo na atenção básica.

Achados-chave

  • Homem trans, 21 anos
  • Em processo de afirmação de gênero
  • Usa binder, cogita terapia hormonal
  • Sem sofrimento psíquico intenso
  • Busca informações e cuidados gerais

Como pensar a questão

  1. Reconhecer que identidade de gênero não é patologia.
  2. Oferecer acolhimento e escuta qualificada na UBS.
  3. Orientar sobre cuidados gerais e autocuidado.
  4. Encaminhar para serviço especializado se houver desejo de terapia hormonal, mantendo acompanhamento na UBS.
  5. Descartar condutas que patologizam ou iniciam terapia sem critérios.

Conceito central

A Política Nacional de Saúde Integral LGBT e o Processo Transexualizador do SUS estabelecem que a identidade de gênero não é doença e que o cuidado deve ser acolhedor e humanizado. A Atenção Primária é a porta de entrada, devendo oferecer acompanhamento clínico geral, orientações sobre autocuidado, sexualidade e saúde mental. A terapia hormonal é indicada para maiores de 18 anos, após avaliação multiprofissional e acompanhamento mínimo de um ano em serviço especializado habilitado, conforme Resolução CFM 2.427/2025. O encaminhamento para especialista não exclui o acompanhamento na UBS, que deve continuar oferecendo cuidado integral. A abordagem deve ser livre de discriminação e baseada em evidências, respeitando a autonomia do paciente.

Regra de bolso

Identidade de gênero não é doença; acolha na UBS e encaminhe para especialista se necessário.

Tema central

Atenção Primária à pessoa trans: cuidado integral, não patologização e coordenação da rede

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Uma avaliação psiquiátrica não deve ser usada como pré-requisito para oferecer cuidado integral na APS nem para validar a identidade de gênero. Saúde mental é avaliada conforme necessidade clínica e conforme exigências específicas de determinadas intervenções.

B · incorreta

Incorreta como resposta automática. A questão não fornece avaliação clínica, consentimento informado, exames nem cumprimento das exigências atuais para iniciar hormonioterapia cruzada; não se deve reduzir o primeiro atendimento a uma prescrição imediata.

C · incorreta

Incorreta. Encaminhar para atenção especializada pode fazer parte do plano, mas dizer que todo seguimento deve ocorrer fora da APS rompe longitudinalidade e contraria a função coordenadora da Atenção Básica no SUS.

D · correta

Correta. Acolhe sem patologização, mantém vínculo com a APS e permite orientar cuidados gerais e organizar, se desejado, as etapas específicas da afirmação de gênero.

Diretriz vigente na época da prova

Na época da prova, o SUS já tratava a Atenção Básica como porta de entrada e coordenadora do cuidado no Processo Transexualizador, e identidade trans não deveria ser patologizada como condição para acesso a cuidados gerais. Em 2025, o CFM publicou regras específicas para terapia hormonal e procedimentos de afirmação de gênero em adultos.

  • Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.803/2013 — Processo Transexualizador no SUS.
  • Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.427/2025.

Como a recomendação está hoje

Em 2026, permanece o princípio de cuidado integral, longitudinal e não discriminatório na APS. Rastreamentos e prevenção devem ser orientados por anatomia, exposições e risco individual; hormonioterapia, quando desejada, segue consentimento informado, avaliação clínica e as normas profissionais e fluxos locais vigentes.

  • Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 10/2026-CGAEQ/DESF/SAPS/MS.
  • Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.427/2025.

O que mudou — e o que não mudou

A essência não mudou: APS acolhe, acompanha e coordena. O que se tornou mais explícito após a prova foram requisitos profissionais específicos para hormonioterapia e procedimentos, que não devem ser confundidos com barreira para cuidado básico. A resposta continua D, com maior precisão regulatória na orientação atual.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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