A conduta correta é acolher o paciente, esclarecer que identidade de gênero não é transtorno mental, oferecer acompanhamento contínuo na UBS e orientar sobre cuidados gerais de saúde. O encaminhamento para serviço especializado deve ser feito em paralelo, se houver desejo de terapia hormonal, mas sem abandonar o vínculo na atenção básica.
Achados-chave
- Homem trans, 21 anos
- Em processo de afirmação de gênero
- Usa binder, cogita terapia hormonal
- Sem sofrimento psíquico intenso
- Busca informações e cuidados gerais
Como pensar a questão
- Reconhecer que identidade de gênero não é patologia.
- Oferecer acolhimento e escuta qualificada na UBS.
- Orientar sobre cuidados gerais e autocuidado.
- Encaminhar para serviço especializado se houver desejo de terapia hormonal, mantendo acompanhamento na UBS.
- Descartar condutas que patologizam ou iniciam terapia sem critérios.
Conceito central
A Política Nacional de Saúde Integral LGBT e o Processo Transexualizador do SUS estabelecem que a identidade de gênero não é doença e que o cuidado deve ser acolhedor e humanizado. A Atenção Primária é a porta de entrada, devendo oferecer acompanhamento clínico geral, orientações sobre autocuidado, sexualidade e saúde mental. A terapia hormonal é indicada para maiores de 18 anos, após avaliação multiprofissional e acompanhamento mínimo de um ano em serviço especializado habilitado, conforme Resolução CFM 2.427/2025. O encaminhamento para especialista não exclui o acompanhamento na UBS, que deve continuar oferecendo cuidado integral. A abordagem deve ser livre de discriminação e baseada em evidências, respeitando a autonomia do paciente.
Regra de bolso
Identidade de gênero não é doença; acolha na UBS e encaminhe para especialista se necessário.