Pediatria

Questão 57ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa D. Tema: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Enunciado

Criança de 9 anos com TDAH diagnosticado há 2 anos, em uso de metilfenidato há 1 ano, com boa resposta escolar. Pai solicita continuidade do tratamento. Questão aborda monitoramento necessário durante o uso crônico da medicação. Quais estratégias de monitoramento devem ser utilizadas durante o uso crônico de metilfenidato em criança com TDAH?

  1. Seguimento conjunto com neuropediatra para acompanhar ganho de peso e dislipidemia.
  2. Acompanhar com testes psicodinâmicos parâmetros de atenção e desempenho escolar.
  3. Coletar hemograma e hormônios tireoidianos anuais e prescrever antipsicóticos para efeitos colaterais.
  4. Agendar consultas periódicas para verificação de estatura, peso e pressão arterial, com nova avaliação para retirada após 1 ano.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a D: Agendar consultas periódicas para verificação de estatura, peso e pressão arterial, com nova avaliação para retirada após 1 ano.

Correção comentada

Revisado editorialmente

O monitoramento do uso crônico de metilfenidato em crianças inclui consultas periódicas para aferição de estatura, peso e pressão arterial, devido ao risco de supressão do apetite e aumento da PA. Deve-se reavaliar a necessidade da medicação após 1 ano, considerando a possibilidade de descontinuação.

Achados-chave

  • criança de 9 anos
  • TDAH há 2 anos
  • uso de metilfenidato há 1 ano
  • melhora escolar
  • solicitação de extensão do uso

Como pensar a questão

  1. Identificar os efeitos colaterais mais comuns do metilfenidato: anorexia, perda de peso, insônia, aumento da PA e FC.
  2. Reconhecer que o monitoramento deve incluir medidas antropométricas (peso, estatura) e pressão arterial.
  3. Lembrar que a eficácia é avaliada clinicamente, não por testes psicodinâmicos.
  4. Considerar a necessidade de reavaliação periódica da continuação do tratamento, geralmente após 1 ano.
  5. Descartar opções que sugerem exames desnecessários ou medicações inadequadas.

Conceito central

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade, com início antes dos 12 anos e prejuízo em múltiplos ambientes. O tratamento envolve abordagem não farmacológica (psicoterapia, psicoeducação) e farmacológica, sendo os psicoestimulantes (metilfenidato, lisdexanfetamina) a primeira linha. O metilfenidato age inibindo a recaptação de dopamina e noradrenalina, melhorando a transmissão sináptica. Seus efeitos colaterais mais comuns incluem diminuição do apetite, perda de peso, insônia, cefaleia e aumento discreto da pressão arterial e frequência cardíaca. O monitoramento durante o uso crônico deve incluir avaliação periódica de peso, estatura, pressão arterial e sintomas, além de reavaliação da necessidade de continuação da medicação. Não há indicação de exames laboratoriais de rotina, como hemograma ou função tireoidiana, nem de uso de antipsicóticos para efeitos colaterais. A resposta ao tratamento é avaliada clinicamente, com escalas específicas e relatos de pais e professores.

Regra de bolso

No TDAH com metilfenidato, monitore peso, estatura e PA; reavalie após 1 ano.

Tema central

Monitorização do tratamento crônico do TDAH com metilfenidato

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Crescimento merece acompanhamento, mas dislipidemia não é alvo rotineiro do seguimento e neuropediatria não é obrigatória em todo caso estável.

B · incorreta

Incorreta. A resposta terapêutica é clínica e funcional; testes psicodinâmicos não são padrão para monitorar eficácia do psicoestimulante.

C · incorreta

Incorreta. Não há indicação de hemograma/TSH anuais de rotina nem de antipsicótico para efeitos adversos comuns do estimulante.

D · correta

Correta. Peso, estatura e pressão arterial fazem parte do acompanhamento, com reavaliação periódica da necessidade terapêutica.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, recomendações pediátricas já orientavam monitorar altura, peso, pressão arterial, frequência cardíaca, sono, apetite e resposta funcional durante uso de estimulantes, sem exigir exames laboratoriais de rotina em crianças assintomáticas.

  • AAP Clinical Practice Guideline for ADHD, 2019.
  • NICE Guideline NG87 — ADHD, vigente em 2025.

Como a recomendação está hoje

A prática atual mantém os mesmos pilares: monitorização antropométrica e cardiovascular, avaliação de benefício funcional e eventos adversos e revisão periódica da necessidade de tratamento. Pausas ou testes de retirada podem ser considerados individualmente, não por regra anual fixa.

  • NICE Guideline NG87 — ADHD, versão vigente.
  • AAP Clinical Practice Guideline for ADHD, 2019, ainda referência estrutural.

O que mudou — e o que não mudou

Não houve mudança central. A principal correção em relação a interpretações antigas é evitar transformar 'reavaliar após um ano' em obrigação de suspensão. O acompanhamento moderno é contínuo, centrado em benefício funcional e tolerabilidade, com decisões individualizadas.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • INEP — ENAMED 2025, Caderno 1: https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • INEP — ENAMED 2025, Gabarito definitivo v2, Caderno 1: https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • Wolraich ML et al. Clinical Practice Guideline for ADHD. Pediatrics. 2019;144:e20192528.
  • National Institute for Health and Care Excellence. Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management. NG87.
  • Cortese S et al. Management of adverse events during ADHD medication treatment. J Child Psychol Psychiatry. 2013;54:227-246.

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