Pediatria

Questão 80ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa A. Tema: Hérnia Diafragmática Congênita.

Enunciado

Recém-nascido a termo, no 1º minuto de vida, apresenta apneia e bradicardia, desvio do íctus à direita, abdome escavado e ruídos hidroaéreos no hemitórax esquerdo. Quadro sugere hérnia diafragmática congênita. Quais procedimentos são adequados no atendimento desse recém-nascido em sala de parto?

  1. intubação traqueal e massagem cardíaca externa.
  2. cateterismo umbilical e drenagem de hemitórax esquerdo.
  3. ventilação com óxido nítrico e administração de surfactante.
  4. ventilação com balão autoinflável com pressão expiratória final positiva.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a A: intubação traqueal e massagem cardíaca externa.

Correção comentada

Revisado editorialmente

Na hérnia diafragmática congênita, o recém-nascido deve ser intubado imediatamente para ventilação mecânica, evitando ventilação com máscara. A massagem cardíaca pode ser necessária se a frequência cardíaca estiver <60 bpm, conforme protocolo de reanimação neonatal. Portanto, a conduta é intubação traqueal e massagem cardíaca externa se indicada.

Achados-chave

  • apneia e bradicardia no 1º minuto
  • desvio do íctus à direita
  • abdome escavado
  • ruídos hidroaéreos no hemitórax esquerdo

Como pensar a questão

  1. Reconhecer sinais de hérnia diafragmática: abdome escavado, ruídos hidroaéreos no tórax, desvio do íctus.
  2. Lembrar que a ventilação com máscara é contraindicada pelo risco de barotrauma.
  3. Indicar intubação traqueal imediata para ventilar.
  4. Avaliar frequência cardíaca; se <60 bpm, iniciar massagem cardíaca.
  5. Estabilizar antes da correção cirúrgica.

Conceito central

A hérnia diafragmática congênita é uma malformação do diafragma que permite a passagem de vísceras abdominais para o tórax, mais comum à esquerda. O diagnóstico pode ser pré-natal por ultrassonografia. Ao nascimento, o recém-nascido apresenta desconforto respiratório, abdome escavado, murmúrio vesicular diminuído e ruídos hidroaéreos no tórax. O manejo imediato inclui intubação traqueal e ventilação mecânica, evitando ventilação com máscara para prevenir distensão gástrica e piora da compressão pulmonar. A massagem cardíaca é realizada se a frequência cardíaca for <60 bpm, conforme protocolo de reanimação neonatal. A correção cirúrgica é adiada até estabilização, geralmente após 48 horas. O uso de óxido nítrico pode ser considerado para hipertensão pulmonar, mas não é rotina inicial. Surfactante não é indicado, pois a doença não é por deficiência de surfactante.

Regra de bolso

Hérnia diafragmática: intubar, nunca ventilar com máscara.

Tema central

Hérnia diafragmática congênita na sala de parto e reanimação neonatal

Alternativa por alternativa

A · correta

Correta como melhor alternativa porque inclui intubação traqueal, a intervenção essencial na sala de parto. A parte 'massagem cardíaca' só se aplica se a FC permanecer <60/min após ventilação efetiva; a ausência desse dado torna a redação menos precisa que a prática atual.

B · incorreta

Incorreta. Acesso umbilical pode ser necessário durante estabilização avançada, mas drenagem torácica não trata hérnia diafragmática e pode lesar vísceras herniadas.

C · incorreta

Incorreta. Óxido nítrico pode ser considerado em hipertensão pulmonar selecionada, mas não substitui o primeiro passo de estabelecer ventilação controlada; surfactante não é terapia rotineira da hipoplasia pulmonar da HDC.

D · incorreta

Incorreta. Ventilação com balão e máscara pode distender o conteúdo gastrointestinal intratorácico e piorar a compressão pulmonar; na suspeita de HDC, deve-se controlar a via aérea por intubação.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, recomendações neonatais e consensos específicos de hérnia diafragmática congênita já orientavam evitar ventilação com máscara na suspeita de HDC, proceder à intubação precoce, descompressão gástrica e ventilação gentil. Compressões torácicas dependiam de FC persistentemente <60/min apesar de ventilação efetiva.

  • AHA/AAP Neonatal Resuscitation guidance vigente em 2025.
  • CDH EURO Consortium. Standardized postnatal management of infants with congenital diaphragmatic hernia. Neonatology. 2016.

Como a recomendação está hoje

As diretrizes AHA/AAP 2025, publicadas para a prática de 2026, mantêm a prioridade absoluta da ventilação efetiva e indicam compressões somente se FC <60/min após ventilação eficaz. No contexto de HDC, a estratégia atual continua sendo intubação, sonda para descompressão gastrointestinal, ventilação protetora e estabilização antes da cirurgia.

  • American Heart Association/American Academy of Pediatrics. 2025 Guidelines for Neonatal Resuscitation. Pediatrics. 2026;157(1):e2025074352.
  • Kunisaki SM et al. Ventilator strategies in congenital diaphragmatic hernia. Semin Pediatr Surg. 2024;33(4):151439.

O que mudou — e o que não mudou

O princípio não mudou, mas a correção precisa ser mais precisa que a alternativa. A intubação torna A a melhor resposta; 'massagem cardíaca' não é automática diante da palavra bradicardia. A prática atual exige confirmar FC <60/min após ventilação efetiva antes de iniciar compressões.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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