Clínica Médica

Questão 31ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa B. Tema: Neoplasia Periampular.

Enunciado

Mulher de 72 anos, com emagrecimento, dor abdominal com irradiação dorsal há 3 meses, colúria, prurido e icterícia há 1 mês. Exame: icterícia +++/4+, fígado palpável e massa cística indolor em hipocôndrio direito, sugerindo sinal de Courvoisier-Terrier. Qual exame é mais adequado para investigar a hipótese de neoplasia periampular?

  1. Ultrassonografia para avaliar colecistite crônica calculosa.
  2. Tomografia computadorizada para avaliar vias biliares e pâncreas.
  3. Colangiopancreatografia por ressonância para avaliar coledocolitíase.
  4. Biópsia percutânea com agulha da massa palpada para avaliar neoplasia.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a B: Tomografia computadorizada para avaliar vias biliares e pâncreas.

Correção comentada

Revisado editorialmente

A conduta correta é solicitar tomografia computadorizada de abdome para avaliar vias biliares e pâncreas, pois a hipótese é neoplasia periampular, confirmada pelo sinal de Courvoisier-Terrier (vesícula palpável indolor em paciente ictérico). A TC é o exame inicial para estadiamento e diagnóstico.

Achados-chave

  • Idade 72 anos
  • Emagrecimento
  • Dor abdominal com irradiação dorsal
  • Colúria, prurido, icterícia
  • Massa cística indolor em hipocôndrio direito
  • Sinal de Courvoisier-Terrier

Como pensar a questão

  1. Identificar síndrome obstrutiva biliar: icterícia, colúria, prurido.
  2. Reconhecer sinal de Courvoisier-Terrier: vesícula palpável indolor em ictérico.
  3. Associar emagrecimento e dor dorsal a neoplasia periampular.
  4. Escolher exame de imagem que avalie pâncreas e vias biliares: TC.
  5. Descartar alternativas que não investigam neoplasia ou são invasivas.

Conceito central

A neoplasia periampular é um tumor que se origina na região da ampola de Vater, incluindo cabeça de pâncreas, colédoco distal e papila duodenal. O quadro clássico é icterícia obstrutiva progressiva, frequentemente indolor, acompanhada de colúria, acolia fecal e prurido. O sinal de Courvoisier-Terrier, caracterizado por vesícula biliar palpável e indolor em paciente ictérico, é um forte indicativo de malignidade, pois a obstrução crônica distende a vesícula sem processo inflamatório agudo. O diagnóstico é feito por exames de imagem, sendo a tomografia computadorizada (TC) de abdome o método inicial de escolha para avaliar a extensão tumoral e planejar a abordagem. A colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) é útil para detalhar a via biliar, mas não é o primeiro exame. A ultrassonografia pode mostrar dilatação biliar, mas é limitada para avaliar o pâncreas. A biópsia percutânea da vesícula é contraindicada, pois a massa palpável é a vesícula distendida, não um tumor acessível. O tratamento é cirúrgico, com duodenopancreatectomia (procedimento de Whipple) para tumores ressecáveis.

Regra de bolso

Icterícia + vesícula palpável indolor = neoplasia periampular até prova em contrário; peça TC de abdome.

Tema central

Icterícia obstrutiva maligna e investigação de neoplasia periampular

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Ultrassonografia pode documentar dilatação biliar e é útil na avaliação inicial da icterícia, mas a alternativa a direciona para colecistite crônica calculosa, hipótese que não explica adequadamente perda ponderal, dor dorsal e sinal de Courvoisier.

B · correta

Correta. A TC contrastada avalia pâncreas, dilatação biliar, extensão tumoral, relação vascular e potenciais metástases, sendo decisiva para estadiamento e planejamento em suspeita de câncer pancreático/periampular.

C · incorreta

Incorreta como melhor resposta. CPRM detalha muito bem a anatomia biliar e pode complementar a investigação, mas a alternativa a direciona para coledocolitíase, menos provável neste cenário de obstrução maligna.

D · incorreta

Incorreta. A estrutura palpável é provavelmente a vesícula distendida; biópsia percutânea indiscriminada não é a etapa inicial apropriada para a síndrome descrita.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, recomendações oncológicas já utilizavam tomografia contrastada multiphasic/protocolo pancreático como exame central para avaliar suspeita de neoplasia pancreática/periampular, estadiar doença e estimar ressecabilidade; ultrassom e CPRM eram complementares conforme a questão clínica.

  • ESMO Clinical Practice Guideline for pancreatic cancer. Ann Oncol. 2023;34:987-1002.
  • NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Pancreatic Adenocarcinoma, versão vigente em 2025.

Como a recomendação está hoje

A prática atual mantém a TC contrastada com protocolo pancreático como exame-chave para estadiamento inicial. Ecoendoscopia e métodos de obtenção de tecido são usados de forma dirigida, principalmente quando confirmação histológica mudará a estratégia ou antes de tratamento sistêmico/neoadjuvante.

  • NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Pancreatic Adenocarcinoma. Versão vigente consultada em 2026.
  • ACR Appropriateness Criteria: Jaundice. Versão vigente consultada em 2026.

O que mudou — e o que não mudou

Não houve mudança relevante no princípio cobrado: suspeita de malignidade periampular continua exigindo imagem seccional contrastada, e a TC permanece central. A atualização importante é evitar a simplificação 'TC confirma o diagnóstico': ela caracteriza a lesão e o estágio; a necessidade e a via de biópsia dependem do plano terapêutico.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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