A · incorreta
Incorreta. Doença de Lyme pode causar artrite, mas o contexto epidemiológico e a associação com faringite recente e possível cardite não apontam para Borrelia burgdorferi.
Resposta correta: alternativa D. Tema: Febre Reumática.
Menino de 10 anos, morador de área urbana, apresenta dor e edema em cotovelo direito há 1 dia. Há 1 semana, teve febre de 38,5°C, 1-2 picos/dia, com dor e inchaço no joelho direito que melhorou após 4 dias, seguido de tornozelo direito edemaciado e avermelhado por 2 dias. Há 3 semanas, teve dor de garganta. Exame: dificuldade de movimentar cotovelo direito, FC 110 bpm, sopro sistólico 3+/6+. Qual é o agente etiológico e o tratamento de escolha para o quadro clínico apresentado?
A alternativa correta é a D: Streptococcus pyogenes; penicilina G benzatina.
Revisado editorialmente
O diagnóstico é febre reumática, causada por Streptococcus pyogenes. O tratamento de escolha é penicilina G benzatina para erradicar o estreptococo. A poliartrite migratória e a cardite são critérios maiores de Jones, e a faringite prévia há 3 semanas apoia a etiologia.
A febre reumática é uma complicação não supurativa da faringotonsilite por Streptococcus pyogenes, mediada por resposta imunológica cruzada. O diagnóstico utiliza os critérios de Jones, que incluem critérios maiores (cardite, poliartrite, coreia, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, elevação de provas de fase aguda, intervalo PR prolongado). É necessária evidência de infecção estreptocócica prévia, geralmente por sorologia (ASO, anti-DNAse B). O tratamento inclui erradicação do estreptococo com penicilina G benzatina, anti-inflamatórios para artrite e corticoides para cardite, além de profilaxia secundária com penicilina benzatina a cada 21 dias, com duração variável conforme o comprometimento cardíaco.
Criança com poliartrite migratória e sopro: febre reumática até prova em contrário.
Febre reumática aguda: relação com faringite estreptocócica, critérios de Jones e erradicação do agente
Incorreta. Doença de Lyme pode causar artrite, mas o contexto epidemiológico e a associação com faringite recente e possível cardite não apontam para Borrelia burgdorferi.
Incorreta. Artrite séptica por Staphylococcus aureus costuma ser monoarticular e persistente; não explica migração nem o padrão pós-faringite.
Incorreta. Sífilis não explica esse quadro agudo pós-faringite em criança.
Correta. Streptococcus pyogenes é o agente antecedente clássico e penicilina G benzatina é usada para erradicação e profilaxia secundária.
Em 2025, os critérios de Jones revisados com ecocardiografia Doppler já orientavam o diagnóstico, e a erradicação de S. pyogenes com penicilina permanecia padrão. Cardite clínica ou subclínica e poliartrite migratória eram elementos centrais conforme risco populacional.
A prática atual mantém os mesmos pilares: confirmar evidência de infecção estreptocócica prévia quando exigido, utilizar ecocardiografia para detectar cardite e instituir erradicação e profilaxia secundária com penicilina conforme presença e gravidade de cardite/valvopatia.
O núcleo da conduta não mudou. A principal nuance contemporânea é valorizar cardite subclínica detectada por ecocardiografia e individualizar a duração da profilaxia secundária conforme comprometimento cardíaco, em vez de ensinar apenas a tríade clínica clássica.
INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.
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