Pediatria

Questão 37ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa D. Tema: Febre Reumática.

Enunciado

Menino de 10 anos, morador de área urbana, apresenta dor e edema em cotovelo direito há 1 dia. Há 1 semana, teve febre de 38,5°C, 1-2 picos/dia, com dor e inchaço no joelho direito que melhorou após 4 dias, seguido de tornozelo direito edemaciado e avermelhado por 2 dias. Há 3 semanas, teve dor de garganta. Exame: dificuldade de movimentar cotovelo direito, FC 110 bpm, sopro sistólico 3+/6+. Qual é o agente etiológico e o tratamento de escolha para o quadro clínico apresentado?

  1. Borrelia burgdorferi; doxiciclina.
  2. Staphylococcus aureus; oxacilina.
  3. Treponema pallidum; penicilina G benzatina.
  4. Streptococcus pyogenes; penicilina G benzatina.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a D: Streptococcus pyogenes; penicilina G benzatina.

Correção comentada

Revisado editorialmente

O diagnóstico é febre reumática, causada por Streptococcus pyogenes. O tratamento de escolha é penicilina G benzatina para erradicar o estreptococo. A poliartrite migratória e a cardite são critérios maiores de Jones, e a faringite prévia há 3 semanas apoia a etiologia.

Achados-chave

  • poliartrite migratória
  • febre
  • sopro sistólico
  • antecedente de faringite
  • criança em idade escolar

Como pensar a questão

  1. Identificar poliartrite migratória e sopro cardíaco como critérios maiores de Jones.
  2. Reconhecer febre como critério menor.
  3. Associar faringite prévia há 3 semanas com infecção estreptocócica.
  4. Diagnosticar febre reumática e indicar penicilina G benzatina.

Conceito central

A febre reumática é uma complicação não supurativa da faringotonsilite por Streptococcus pyogenes, mediada por resposta imunológica cruzada. O diagnóstico utiliza os critérios de Jones, que incluem critérios maiores (cardite, poliartrite, coreia, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, elevação de provas de fase aguda, intervalo PR prolongado). É necessária evidência de infecção estreptocócica prévia, geralmente por sorologia (ASO, anti-DNAse B). O tratamento inclui erradicação do estreptococo com penicilina G benzatina, anti-inflamatórios para artrite e corticoides para cardite, além de profilaxia secundária com penicilina benzatina a cada 21 dias, com duração variável conforme o comprometimento cardíaco.

Regra de bolso

Criança com poliartrite migratória e sopro: febre reumática até prova em contrário.

Tema central

Febre reumática aguda: relação com faringite estreptocócica, critérios de Jones e erradicação do agente

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Doença de Lyme pode causar artrite, mas o contexto epidemiológico e a associação com faringite recente e possível cardite não apontam para Borrelia burgdorferi.

B · incorreta

Incorreta. Artrite séptica por Staphylococcus aureus costuma ser monoarticular e persistente; não explica migração nem o padrão pós-faringite.

C · incorreta

Incorreta. Sífilis não explica esse quadro agudo pós-faringite em criança.

D · correta

Correta. Streptococcus pyogenes é o agente antecedente clássico e penicilina G benzatina é usada para erradicação e profilaxia secundária.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, os critérios de Jones revisados com ecocardiografia Doppler já orientavam o diagnóstico, e a erradicação de S. pyogenes com penicilina permanecia padrão. Cardite clínica ou subclínica e poliartrite migratória eram elementos centrais conforme risco populacional.

  • Gewitz MH et al. Revision of the Jones Criteria. Circulation. 2015;131:1806-1818.
  • WHO guidance on rheumatic fever and rheumatic heart disease.

Como a recomendação está hoje

A prática atual mantém os mesmos pilares: confirmar evidência de infecção estreptocócica prévia quando exigido, utilizar ecocardiografia para detectar cardite e instituir erradicação e profilaxia secundária com penicilina conforme presença e gravidade de cardite/valvopatia.

  • WHO guideline on prevention and diagnosis of rheumatic fever and rheumatic heart disease, edição vigente consultada em 2026.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria, materiais técnicos vigentes.

O que mudou — e o que não mudou

O núcleo da conduta não mudou. A principal nuance contemporânea é valorizar cardite subclínica detectada por ecocardiografia e individualizar a duração da profilaxia secundária conforme comprometimento cardíaco, em vez de ensinar apenas a tríade clínica clássica.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • INEP — ENAMED 2025, Caderno 1: https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • INEP — ENAMED 2025, Gabarito definitivo v2, Caderno 1: https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • Gewitz MH et al. Circulation. 2015;131:1806-1818. doi:10.1161/CIR.0000000000000205.
  • World Health Organization. Guideline on rheumatic fever and rheumatic heart disease. Edição vigente consultada em 2026.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Materiais técnicos sobre febre reumática.

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