Clínica Médica

Questão 58ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa A. Tema: Tireoidite Subaguda (De Quervain).

Enunciado

Mulher de 45 anos com febre, mialgia, dor cervical anterior irradiada para mandíbula e orelhas, após infecção viral respiratória há 2 semanas. Apresenta taquicardia desproporcional, tremores, tireoide dolorosa e aumentada, VHS e PCR elevados. Suspeita-se de tireoidite subaguda. Considerando a principal hipótese diagnóstica, quais exames complementares a sustentariam e qual o tratamento indicado?

  1. Redução da captação de iodo radioativo; betabloqueador e anti-inflamatório.
  2. Detecção de nódulo quente à cintilografia; tireoidectomia subtotal.
  3. Aumento de TSH, T4 livre e TRAb; ablação com iodo radioativo.
  4. Aumento de TSH, T3 e T4 livre; oseltamivir + metimazol + atenolol.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a A: Redução da captação de iodo radioativo; betabloqueador e anti-inflamatório.

Correção comentada

Revisado editorialmente

Na tireoidite subaguda (De Quervain), a cintilografia mostra redução da captação de iodo radioativo, devido à destruição folicular. O tratamento é sintomático com betabloqueadores para controle dos sintomas tireotóxicos e anti-inflamatórios (AINEs ou corticoide) para dor e inflamação. Tionamidas não são indicadas.

Achados-chave

  • mulher de 45 anos
  • febre, mialgia, dor cervical anterior
  • infecção viral respiratória prévia
  • taquicardia desproporcional, tremores
  • tireoide dolorosa, firme, aumentada
  • VHS e PCR elevados

Como pensar a questão

  1. Identificar quadro clínico compatível com tireoidite subaguda: dor cervical, febre, tireotoxicose após infecção viral.
  2. Confirmar que VHS e PCR elevados são típicos.
  3. Lembrar que na tireoidite subaguda a captação de iodo está reduzida.
  4. Tratar com betabloqueador para sintomas adrenérgicos e AINEs/corticoide para inflamação.
  5. Excluir outras causas de tireotoxicose, como doença de Graves e adenoma tóxico.

Conceito central

A tireoidite subaguda, também chamada de tireoidite de De Quervain ou granulomatosa, é uma inflamação da tireoide de causa viral, sendo a principal causa de dor tireoidiana. O quadro clínico típico inclui dor na região anterior do pescoço, que pode irradiar para mandíbula e orelhas, febre, mal-estar e sintomas de tireotoxicose (palpitações, tremores, taquicardia) devido à liberação de hormônios pré-formados. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com elevação de VHS e PCR, e função tireoidiana mostrando TSH suprimido e T4 livre elevado na fase tireotóxica. A cintilografia de tireoide mostra captação reduzida de iodo radioativo, diferenciando de outras causas de tireotoxicose. O tratamento é sintomático: anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) ou corticoide para dor e inflamação, e betabloqueadores para controle dos sintomas adrenérgicos. Tionamidas (metimazol, propiltiouracil) não são indicadas, pois não há aumento da síntese hormonal. A doença é autolimitada, com evolução em fases: tireotóxica, hipotireoidiana e recuperação, podendo deixar hipotireoidismo permanente em alguns casos.

Regra de bolso

Dor na tireoide + tireotoxicose + VHS alto = tireoidite subaguda; trate com AINE e betabloqueador.

Tema central

Tireoidite subaguda destrutiva e diferenciação de hipertireoidismo verdadeiro

Alternativa por alternativa

A · correta

Correta. Baixa captação associada a betabloqueador e anti-inflamatório traduz a fisiopatologia e o manejo da tireoidite subaguda.

B · incorreta

Incorreta. Nódulo quente sugere autonomia funcional, não tireoide difusamente dolorosa pós-viral.

C · incorreta

Incorreta. Na fase tireotóxica espera-se TSH suprimido; TRAb elevado favorece Graves e radioiodo não trata tireoidite destrutiva.

D · incorreta

Incorreta. TSH não sobe na fase tireotóxica inicial e metimazol não corrige liberação de hormônio pré-formado.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, o manejo já se baseava em reconhecer tireotoxicose destrutiva com baixa captação, usar betabloqueador para sintomas adrenérgicos e anti-inflamatório para dor, reservando corticoide para quadros mais intensos e evitando tionamidas por falta de benefício fisiopatológico.

  • American Thyroid Association Guidelines for Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis, 2016.
  • Endotext — Subacute Thyroiditis, atualização vigente à época.

Como a recomendação está hoje

A conduta atual permanece essencialmente a mesma. Diagnóstico é clínico-laboratorial com suporte de imagem/captação quando necessário, e o tratamento continua sintomático e anti-inflamatório. Tionamidas seguem sem papel rotineiro na fase destrutiva.

  • Endotext — Subacute Thyroiditis, atualização vigente.
  • American Thyroid Association guidance vigente sobre causas de tireotoxicose.

O que mudou — e o que não mudou

Não houve mudança relevante na lógica terapêutica. A principal ênfase atual é evitar tratar toda tireotoxicose como Graves e reconhecer que o mecanismo destrutivo determina baixa captação e ausência de benefício das tionamidas.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • INEP — ENAMED 2025, Caderno 1: https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • INEP — ENAMED 2025, Gabarito definitivo v2, Caderno 1: https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • Ross DS et al. 2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis. Thyroid. 2016;26:1343-1421.
  • Hennessey JV. Subacute Thyroiditis. Endotext. Updated periodically.

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