Clínica Médica

Questão 86ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa D. Tema: Arterite de Células Gigantes.

Enunciado

Mulher de 55 anos, sem doenças crônicas, apresenta cefaleia persistente bilateral, alterações visuais (amaurose fugaz e diplopia), cansaço, artralgias, dor no couro cabeludo e perda de peso (2 kg em 2 meses). Nega fotofobia, fonofobia, febre, náuseas e rigidez de nuca. Exame físico normal. Pergunta-se o tipo de cefaleia e exame útil. Qual é o tipo de cefaleia e qual exame é útil na investigação preliminar?

  1. Cefaleia primária (tensional); nenhum exame.
  2. Cefaleia secundária (hemorragia subaracnóidea); análise de liquor.
  3. Cefaleia primária (migrânea); tomografia computadorizada de encéfalo.
  4. Cefaleia secundária (arterite temporal); velocidade de hemossedimentação.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a D: Cefaleia secundária (arterite temporal); velocidade de hemossedimentação.

Correção comentada

Revisado editorialmente

A paciente apresenta cefaleia secundária à arterite de células gigantes, devido à idade, sintomas constitucionais e visuais. O exame inicial é a velocidade de hemossedimentação (VHS), que costuma estar elevada, auxiliando no diagnóstico.

Achados-chave

  • idade 55 anos
  • cefaleia persistente bilateral
  • alterações visuais: amaurose fugaz e diplopia
  • sintomas constitucionais: perda de peso, cansaço, artralgias
  • dor no couro cabeludo

Como pensar a questão

  1. Identificar cefaleia nova em paciente >50 anos com sintomas sistêmicos.
  2. Reconhecer sintomas típicos de arterite temporal: dor no couro cabeludo, claudicação mandibular, alterações visuais.
  3. Diferenciar de cefaleias primárias pela presença de sintomas constitucionais e visuais.
  4. Excluir hemorragia subaracnóidea pela ausência de início súbito e rigidez de nuca.
  5. Escolher VHS como exame inicial, pois é marcador de inflamação e frequentemente elevado na arterite.

Conceito central

A arterite de células gigantes (ACG) é uma vasculite sistêmica que afeta grandes e médias artérias, principalmente ramos da carótida, como a artéria temporal. Acomete indivíduos acima de 50 anos, sendo a vasculite mais comum nessa faixa etária. O quadro clássico inclui cefaleia nova, hipersensibilidade do couro cabeludo, claudicação mandibular e sintomas visuais como amaurose fugaz e diplopia, podendo levar à perda visual permanente. Sintomas constitucionais como febre, perda de peso e fadiga são frequentes. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com VHS e PCR elevados; a biópsia da artéria temporal confirma, mas o tratamento com corticoides deve ser iniciado imediatamente se houver suspeita, para prevenir complicações visuais. A VHS é um exame útil na investigação inicial, pois valores elevados (>50 mm/h) são típicos.

Regra de bolso

Cefaleia nova em idoso + sintomas visuais e constitucionais: pense em arterite temporal e peça VHS.

Tema central

Arterite de células gigantes como causa de cefaleia secundária com risco de perda visual.

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Cefaleia tensional não explica amaurose fugaz, diplopia, perda ponderal e dor do couro cabeludo em paciente acima de 50 anos; esses são sinais de alarme para cefaleia secundária.

B · incorreta

Incorreta. Hemorragia subaracnóidea costuma produzir cefaleia súbita em trovoada, atingindo intensidade máxima rapidamente; o curso persistente com sintomas constitucionais e isquêmicos visuais é outro fenótipo.

C · incorreta

Incorreta. Migrânea pode cursar com sintomas visuais, mas o conjunto idade de início + sintomas sistêmicos + hipersensibilidade do couro cabeludo exige investigação de causa secundária. TC isolada não é o exame que responde à hipótese de ACG.

D · correta

Correta. O quadro é altamente sugestivo de arterite de células gigantes, e VHS é um marcador inflamatório útil na investigação preliminar; na prática, associe PCR e confirmação vascular/histológica conforme o caso.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, ACR e EULAR já recomendavam tratamento rápido da ACG com glicocorticoide quando a suspeita clínica era alta, especialmente diante de sintomas visuais, usando marcadores inflamatórios e confirmação por imagem e/ou biópsia sem atrasar a terapia.

  • ACR/Vasculitis Foundation 2021; EULAR imaging update 2023/2024.

Como a recomendação está hoje

Em 2026, o princípio permanece, com maior valorização do ultrassom vascular de artérias temporais/axilares em centros experientes como ferramenta diagnóstica inicial, além de PCR/VHS e biópsia conforme contexto e disponibilidade.

  • EULAR recommendations for imaging in large vessel vasculitis, 2023 update.

O que mudou — e o que não mudou

Não houve mudança na urgência terapêutica. A evolução principal é o fortalecimento da ultrassonografia vascular como ferramenta diagnóstica de primeira linha em redes com expertise; o gabarito baseado em reconhecer ACG e pedir marcador inflamatório permanece conceitualmente válido.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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