A · incorreta
Incorreta. Dor abdominal pode ocorrer em pancreatite, mas DM1 sem insulina, hálito cetônico, desidratação, taquipneia e acidose formam um conjunto muito mais específico para CAD. Dieta zero não corrige a emergência metabólica.
Resposta correta: alternativa C. Tema: Cetoacidose Diabética.
Homem de 21 anos, diabético tipo 1 há 5 anos, sem insulina há 3 dias, apresenta dor abdominal, náuseas, vômitos, torpor, desidratação, hálito cetônico, taquicardia (112 bpm), taquipneia (38 irpm), PA 110x70 mmHg. Laboratório sugere acidose metabólica. Qual o diagnóstico e a conduta inicial para esse paciente?
A alternativa correta é a C: Cetoacidose diabética; prescrever solução fisiológica a 0,9%.
Revisado editorialmente
O diagnóstico é cetoacidose diabética (CAD). A conduta inicial é hidratação venosa com solução fisiológica 0,9%, na dose de 500-1000 mL/h para hipovolemia leve a moderada, antes da insulinoterapia, conforme diretrizes da ADA.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda do diabetes mellitus, mais comum no tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, cetose e acidose metabólica. O diagnóstico é baseado em glicemia >250 mg/dL, pH <7,3, bicarbonato <18 mEq/L, e presença de cetonemia/cetonúria. Os fatores precipitantes incluem omissão de insulina, infecções, estresse. O tratamento envolve hidratação venosa com solução fisiológica 0,9%, correção de potássio, insulinoterapia regular intravenosa, avaliação de bicarbonato se pH <7,0, e tratamento do fator precipitante. A hidratação é o primeiro passo, com 500-1000 mL/h em adultos com hipovolemia leve a moderada. A insulinoterapia deve ser adiada se potássio <3,5 mEq/L. O potássio deve ser reposto conforme níveis séricos. O bicarbonato é controverso, indicado apenas se pH <7,0, e evitado em crianças pelo risco de edema cerebral. A abordagem dos fatores precipitantes é essencial para prevenir recorrência.
CAD: hidratação primeiro, potássio antes da insulina, insulina só depois.
Cetoacidose diabética: reconhecimento e sequência inicial de ressuscitação
Incorreta. Dor abdominal pode ocorrer em pancreatite, mas DM1 sem insulina, hálito cetônico, desidratação, taquipneia e acidose formam um conjunto muito mais específico para CAD. Dieta zero não corrige a emergência metabólica.
Incorreta. Estado hiperosmolar costuma cursar com hiperosmolaridade mais marcada e cetose/acidemia menos proeminentes. Além disso, mesmo nas crises hiperglicêmicas, a reposição volêmica é uma prioridade inicial.
Correta. Cristalóide isotônico é a intervenção inicial para corrigir hipovolemia e perfusão; em paralelo, potássio e demais parâmetros determinam a sequência segura da insulinoterapia.
Incorreta. Lesão renal pré-renal pode acompanhar a desidratação, mas não é a síndrome principal. Bicarbonato tampouco é medida inicial rotineira na CAD.
No momento da prova, o consenso internacional de 2024 para crises hiperglicêmicas já havia atualizado a abordagem da CAD em adultos: ressuscitação com cristalóide isotônico, avaliação seriada de eletrólitos e cetonas, insulinoterapia após garantir segurança do potássio e uso muito restrito de bicarbonato. A definição diagnóstica contemporânea também deixou de depender obrigatoriamente de uma glicemia acima de 250 mg/dL, valorizando hiperglicemia/diabetes, cetose e acidose em conjunto.
Em 2026, o princípio permanece: volume e perfusão são corrigidos primeiro, potássio condiciona a segurança da insulina e a resolução é acompanhada pela correção da cetose/acidemia, não apenas pela queda da glicemia. Cristaloides balanceados podem ser usados conforme protocolo e disponibilidade; solução salina 0,9% continua aceitável e é a opção apresentada na questão.
Não houve mudança que altere o gabarito. A alternativa C continua correta. A atualização mais importante é evitar regras antigas excessivamente rígidas, como exigir glicemia >250 mg/dL para toda CAD ou tratar solução salina 0,9% como único cristalóide possível. O núcleo da conduta — hidratação inicial, potássio antes da insulina quando necessário e insulinoterapia subsequente — permanece estável.
INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.
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