Medicina Preventiva e Social

Questão 45ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa B. Tema: Tuberculose em População Privada de Liberdade.

Enunciado

Homem de 27 anos, detento em regime fechado, apresenta tosse há duas semanas. Considerando sua condição de vulnerabilidade, o médico de família e comunidade deve definir a conduta diagnóstica e terapêutica adequada para tuberculose nesse contexto. Qual a conduta mais adequada para investigação e tratamento da tuberculose em paciente privado de liberdade com tosse há 2 semanas?

  1. Encaminhar para internação clínica para diagnóstico rápido e segurança.
  2. Solicitar radiografia de tórax, pesquisa de Mycobacterium tuberculosis e garantir tratamento se positivo.
  3. Solicitar internação social para tratamento supervisionado por 6 meses.
  4. Aguardar evolução com sintomáticos e investigar se tosse persistir por mais de 3 semanas.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a B: Solicitar radiografia de tórax, pesquisa de Mycobacterium tuberculosis e garantir tratamento se positivo.

Correção comentada

Revisado editorialmente

A conduta correta é solicitar radiografia de tórax e pesquisa laboratorial de Mycobacterium tuberculosis (BAAR ou teste rápido molecular) e, se positivo, iniciar tratamento. Em população privada de liberdade, a investigação deve ser imediata, independentemente da duração da tosse.

Achados-chave

  • 27 anos
  • regime fechado em penitenciária
  • tosse há 2 semanas
  • população privada de liberdade
  • vulnerabilidade para tuberculose

Como pensar a questão

  1. Identificar paciente como população vulnerável (privado de liberdade).
  2. Reconhecer que tosse de qualquer duração em vulneráveis exige investigação.
  3. Solicitar exames diagnósticos: radiografia de tórax e pesquisa de BAAR/TRM.
  4. Iniciar tratamento se diagnóstico confirmado.
  5. Descartar condutas que atrasem diagnóstico ou exijam internação desnecessária.

Conceito central

A tuberculose é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, com alta transmissibilidade. O diagnóstico precoce é fundamental para controle. Em populações vulneráveis, como privados de liberdade, profissionais de saúde, pessoas vivendo com HIV, população em situação de rua, indígenas e contatos de casos resistentes, a investigação deve ser iniciada diante de qualquer sintoma respiratório, especialmente tosse, independentemente da duração. O sintomático respiratório é definido como tosse por três semanas ou mais, mas em grupos de risco essa espera não é aceitável. O diagnóstico é feito por radiografia de tórax e exames bacteriológicos, como baciloscopia (BAAR) e teste rápido molecular (TRM). O tratamento é com esquema RIPE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) por seis meses, com observação direta (TDO) para garantir adesão. A internação hospitalar é reservada para casos graves, como insuficiência respiratória. A prevenção inclui vacinação BCG e tratamento da infecção latente.

Regra de bolso

Em vulneráveis, tosse de qualquer duração já indica investigar tuberculose.

Tema central

Busca ativa e diagnóstico precoce de tuberculose em população privada de liberdade

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Internação para 'segurança' não é estratégia diagnóstica de rotina; a maior parte dos casos pode ser investigada e tratada na rede prisional/SUS.

B · correta

Correta. Combina investigação por imagem e pesquisa microbiológica/molecular com garantia de tratamento se confirmado.

C · incorreta

Incorreta. Tratamento supervisionado não exige internação social; deve ser organizado no próprio serviço prisional e na rede de referência.

D · incorreta

Incorreta. Aguardar a tosse ultrapassar três semanas posterga diagnóstico em população de alto risco.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, o Ministério da Saúde já recomendava intensificar busca ativa de tuberculose em populações vulneráveis, incluindo pessoas privadas de liberdade, com investigação precoce por TRM-TB/baciloscopia e radiografia, sem exigir o mesmo tempo mínimo de tosse aplicado a estratégias passivas na população geral.

  • Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. 2ª ed. atualizada.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Recomendações para o controle da tuberculose em pessoas privadas de liberdade. 2024.

Como a recomendação está hoje

Em 2026, a orientação permanece e foi reforçada em documentos de Atenção Primária Prisional: população privada de liberdade deve ter baixo limiar para investigação, com preferência por métodos moleculares rápidos quando disponíveis, cultura/teste de sensibilidade em situações indicadas e garantia de continuidade do tratamento mesmo diante de transferência ou mudança de unidade.

  • Brasil. Ministério da Saúde. Nota Metodológica P5 — Cuidado da Pessoa com Tuberculose. Atenção Primária Prisional. Atualizada em 14 abr. 2026.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Populações em Situação de Vulnerabilidade — Tuberculose. Versão vigente em 2026.

O que mudou — e o que não mudou

Não houve mudança que altere o gabarito: B permanece correta. A atualização é principalmente operacional, reforçando TRM-TB, cultura/teste de sensibilidade quando indicados e continuidade do cuidado no sistema prisional. O erro continua sendo esperar três semanas de tosse em uma população de risco elevado.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • INEP — ENAMED 2025, Caderno 1: https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • INEP — ENAMED 2025, Gabarito definitivo v2, Caderno 1: https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. 2ª ed. atualizada.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Recomendações para o controle da tuberculose em pessoas privadas de liberdade. 2024.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Nota Metodológica P5 — Cuidado da Pessoa com Tuberculose. Atenção Primária Prisional. 2026.

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