Pediatria

Questão 16ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa B. Tema: Curvas de Crescimento na Síndrome de Down.

Enunciado

Recém-nascido de 15 dias, a termo, Apgar 8/9, peso ao nascer 2.600 g e comprimento 46 cm, com síndrome de Down. Gestação sem intercorrências. Na consulta de puericultura, peso atual 2.900 g e comprimento 47 cm. Pergunta-se em quais curvas plotar os dados para acompanhamento pondero-estatural. Em quais curvas de crescimento os dados devem ser plotados para o acompanhamento pondero-estatural?

  1. Curvas de crescimento da OMS desde o nascimento até a adolescência.
  2. Curvas de crescimento específicas para síndrome de Down desde o nascimento.
  3. Curvas de crescimento da OMS, corrigindo o peso e o comprimento para síndrome de Down.
  4. Curvas de crescimento da OMS até os dois anos e, a partir daí, em curvas específicas para síndrome de Down.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a B: Curvas de crescimento específicas para síndrome de Down desde o nascimento.

Correção comentada

Revisado editorialmente

Para o acompanhamento pondero-estatural de crianças com síndrome de Down, devem ser utilizadas as curvas de crescimento específicas para essa população desde o nascimento. As curvas da OMS podem ser usadas como complemento, mas não substituem as específicas, que refletem o padrão de crescimento dessas crianças.

Achados-chave

  • síndrome de Down
  • recém-nascido a termo
  • peso ao nascer 2.600 g
  • comprimento ao nascer 46 cm
  • peso atual 2.900 g
  • comprimento atual 47 cm

Como pensar a questão

  1. Reconhecer que crianças com síndrome de Down têm padrão de crescimento distinto.
  2. Identificar que existem curvas específicas para síndrome de Down.
  3. Verificar que essas curvas estão disponíveis desde o nascimento até os 20 anos.
  4. Concluir que a plotagem deve ser feita nas curvas específicas desde o início.

Conceito central

Crianças com síndrome de Down apresentam trajetórias de crescimento diferentes da população geral, com tendência a menor estatura e peso ao nascer, crescimento mais lento e maior risco de obesidade. Por isso, foram desenvolvidas curvas de crescimento específicas para essa população, incluindo peso, estatura, IMC e perímetro cefálico, algumas específicas para a população brasileira. Essas curvas devem ser utilizadas desde o nascimento até os 20 anos. As curvas da OMS podem ser usadas como complemento, mas não substituem as específicas. A avaliação do crescimento deve considerar o canal de crescimento e a velocidade, além de fatores individuais.

Regra de bolso

Criança com Down: use curvas específicas desde o nascimento.

Tema central

Monitoramento do crescimento na síndrome de Down com curvas específicas desde o período neonatal

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta como melhor resposta. Curvas gerais da OMS são úteis para a população geral e podem complementar a avaliação, mas diretrizes específicas de síndrome de Down recomendam plotar crescimento em curvas próprias da condição. Usar exclusivamente a curva geral pode fazer um padrão esperado da síndrome parecer patológico ou, inversamente, mascarar mudança de trajetória dentro do grupo adequado de referência.

B · correta

Correta. Curvas específicas de síndrome de Down devem ser usadas desde o período neonatal para peso, comprimento/estatura e outros parâmetros apropriados. O foco deve ser longitudinal e acompanhado de avaliação clínica das causas de desaceleração ou excesso de peso.

C · incorreta

Incorreta. Não existe correção padronizada de peso ou comprimento 'para síndrome de Down' que permita ajustar os números e então plotá-los na curva da OMS. O instrumento adequado é uma curva específica, não uma transformação aritmética.

D · incorreta

Incorreta. Curvas específicas existem para o período de 0–36 meses e são recomendadas desde o início da vida. Esperar até os 2 anos perde justamente a fase em que alimentação, cardiopatia e outras comorbidades podem alterar precocemente a trajetória.

Diretriz vigente na época da prova

Na época do ENAMED 2025, o relatório clínico da American Academy of Pediatrics de 2022 recomendava explicitamente monitorar peso e peso/comprimento em cada consulta e plotar o crescimento de lactentes com síndrome de Down em curvas específicas da condição para peso, comprimento, peso por comprimento e perímetro cefálico. O relatório também recomendava curvas específicas na infância e adolescência, com uso complementar de referência de IMC da população geral em algumas idades. As curvas modernas de Zemel et al., publicadas em 2015, abrangem nascimento a 36 meses e 2 a 20 anos.

  • Bull MJ, Trotter T, Santoro SL, et al. Health Supervision for Children and Adolescents With Down Syndrome. Pediatrics. 2022;149(5):e2022057010. DOI: 10.1542/peds.2022-057010.
  • Zemel BS, Pipan M, Stallings VA, et al. Growth Charts for Children With Down Syndrome in the United States. Pediatrics. 2015;136(5):e1204-e1211. DOI: 10.1542/peds.2015-1652.

Como a recomendação está hoje

Em 2026, a recomendação permanece inalterada: as curvas específicas continuam sendo a referência para acompanhar peso, comprimento/altura e perímetro cefálico em crianças e adolescentes com síndrome de Down, enquanto referências gerais podem ser usadas de modo complementar para aspectos como adiposidade. Nenhuma atualização posterior da AAP até 2026 substituiu o relatório de 2022 nesse ponto. O princípio atual é combinar a curva específica com vigilância ativa de alimentação, tireoide, cardiopatia, doença celíaca, audição, sono e obesidade.

  • American Academy of Pediatrics. Health Supervision for Children and Adolescents With Down Syndrome. Clinical Report, 2022; current guidance in 2026.
  • Centers for Disease Control and Prevention. Growth Charts for Children with Down Syndrome — clinical charts for birth to 3 years and 2 to 20 years.

O que mudou — e o que não mudou

Não houve mudança de recomendação entre 2025 e 2026: a alternativa B continua correta. A nuance atual é não interpretar curvas específicas como permissão para normalizar qualquer crescimento lento. Elas são referências descritivas da síndrome; uma mudança de canal ou velocidade ainda exige investigação de comorbidades tratáveis. Também é aceitável usar curvas gerais como complemento em situações específicas, mas não como substitutas exclusivas.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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