A · incorreta
Incorreta. ISRS não é indicado de rotina para luto agudo normal sem critérios de depressão maior ou outra síndrome tratável. Medicalizar automaticamente os primeiros dias de luto pode gerar iatrogenia sem benefício demonstrado.
Resposta correta: alternativa D. Tema: Luto normal.
Mulher de 52 anos, em acolhimento na UBS, apresenta choro intenso, insônia e hiporexia desde a morte do filho há 3 dias, vítima de atropelamento. Relata sonhos com o ocorrido, mas nega ideação suicida. Sem antecedentes psiquiátricos. Após acolhimento, acalma-se e pede ajuda. Qual a conduta adequada para essa paciente em luto recente?
A alternativa correta é a D: Acompanhar longitudinalmente para observação e ofertar apoio pela equipe da UBS.
Revisado editorialmente
A conduta adequada é acompanhar longitudinalmente e ofertar apoio pela equipe da UBS, pois se trata de luto normal, sem critérios para intervenção medicamentosa ou encaminhamento especializado. O acolhimento e o suporte na atenção primária são suficientes, com reavaliação periódica para detectar complicações.
O luto é uma reação normal à perda de um ente querido, caracterizada por sofrimento intenso, mas que tende a se resolver com o tempo. No luto normal, os sintomas como tristeza, insônia, hiporexia e choro são esperados e não configuram transtorno mental. O diagnóstico de luto complicado é feito quando os sintomas persistem por mais de 6 meses ou causam prejuízo funcional significativo. O manejo do luto normal na atenção primária envolve acolhimento, validação do sofrimento, suporte emocional e acompanhamento longitudinal. Não há indicação de psicofármacos, pois eles não alteram o curso natural do luto e podem medicalizar o processo. O encaminhamento para serviços especializados (CAPS, psicoterapia) é reservado para casos de luto complicado, transtorno depressivo maior, risco de suicídio ou outros transtornos mentais graves. A equipe de saúde da família deve oferecer escuta ativa, orientar sobre o processo de luto e monitorar sinais de complicação.
Luto recente sem risco: acolher, apoiar e acompanhar na UBS; sem medicação.
Luto agudo normal versus transtorno mental e manejo longitudinal na APS
Incorreta. ISRS não é indicado de rotina para luto agudo normal sem critérios de depressão maior ou outra síndrome tratável. Medicalizar automaticamente os primeiros dias de luto pode gerar iatrogenia sem benefício demonstrado.
Incorreta. CAPS intensivo não é necessário apenas pela intensidade emocional inicial quando não há risco suicida, psicose, desorganização grave ou transtorno mental severo persistente.
Incorreta como conduta obrigatória inicial. Psicoterapia pode ser ofertada conforme necessidade e preferência, mas não há indicação automática de atenção secundária nem de uma técnica específica nos primeiros dias de um luto esperado.
Correta. Acompanhamento longitudinal e apoio na APS respeitam o processo de luto e permitem identificar precocemente sinais de evolução desfavorável.
Em 2025, DSM-5-TR e recomendações de saúde mental já diferenciavam luto normal de transtornos psiquiátricos persistentes e enfatizavam avaliação de risco, suporte psicossocial e acompanhamento. Três dias de sofrimento intenso após perda não constituíam, por si só, indicação de antidepressivo ou CAPS intensivo.
A prática atual permanece alinhada: luto agudo sem risco ou síndrome psiquiátrica independente é manejado com acolhimento, suporte e seguimento. Transtorno de luto prolongado em adultos requer persistência por pelo menos 12 meses no DSM-5-TR, além de critérios de intensidade e prejuízo.
Não houve mudança relevante na conduta entre a prova e 2026. A correção importante é retirar a afirmação antiga de que 'luto complicado = sintomas por mais de 6 meses' como regra universal: o DSM-5-TR usa pelo menos 12 meses em adultos para transtorno de luto prolongado.
INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.
Próximo passo
Responda uma amostra equilibrada e receba uma estimativa por área, com prioridade de revisão.