Ginecologia e Obstetrícia

Questão 32ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa D. Tema: Hipertensão na Gestação.

Enunciado

Paciente G5P3C1, 35 anos, 15 semanas de gestação, hipertensa crônica em uso de enalapril, com antecedente de pré-eclâmpsia. PA 140x90 mmHg. Necessita ajuste de anti-hipertensivo e prevenção de pré-eclâmpsia. Qual é a conduta medicamentosa indicada para essa paciente?

  1. Captopril, varfarina e ácido acetilsalicílico.
  2. Furosemida, varfarina e carbonato de cálcio.
  3. Losartana, enoxaparina e carbonato de cálcio.
  4. Alfa-metildopa, ácido acetilsalicílico e carbonato de cálcio.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a D: Alfa-metildopa, ácido acetilsalicílico e carbonato de cálcio.

Correção comentada

Revisado editorialmente

A conduta correta é suspender o enalapril e iniciar alfa-metildopa como anti-hipertensivo de escolha, associar ácido acetilsalicílico em baixa dose (100-150 mg/dia) a partir de 12 semanas por alto risco de pré-eclâmpsia, e carbonato de cálcio (1000 mg/dia de cálcio elementar) para todas as gestantes.

Achados-chave

  • G5P3C1, 35 anos
  • 15 semanas de gestação
  • Hipertensa crônica em uso de enalapril
  • Antecedente de pré-eclâmpsia
  • PA 140x90 mmHg

Como pensar a questão

  1. Identificar hipertensão crônica na gestação com PA 140x90 mmHg.
  2. Reconhecer contraindicação de IECA (enalapril) na gestação.
  3. Escolher metildopa como anti-hipertensivo de primeira linha.
  4. Avaliar risco de pré-eclâmpsia: hipertensão crônica e antecedente = alto risco.
  5. Indicar AAS em baixa dose e suplementação de cálcio para prevenção.

Conceito central

A hipertensão crônica na gestação é definida como PA ≥ 140x90 mmHg antes da 20ª semana ou uso de anti-hipertensivo prévio. O tratamento visa manter PAD ≤ 85 mmHg, evitando quedas bruscas. A metildopa é a droga de escolha para hipertensão não grave (PA < 160/110 mmHg), iniciando com 500-750 mg/dia, podendo associar bloqueadores de canal de cálcio ou betabloqueadores (exceto atenolol e propranolol). IECA, BRA e inibidores diretos da renina são contraindicados por fetotoxicidade renal. Diuréticos são evitados. A prevenção de pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco inclui AAS em baixa dose (100-150 mg/dia) iniciado entre 12 e 20 semanas, preferencialmente até 16 semanas, mantido até 36 semanas. A suplementação de cálcio é universal no Brasil, com 1000 mg/dia de cálcio elementar a partir de 12 semanas, e em alto risco, 1500-2000 mg/dia. A heparina não é indicada para prevenção de pré-eclâmpsia.

Regra de bolso

Na gestação, troque IECA por metildopa; se alto risco de pré-eclâmpsia, adicione AAS e cálcio.

Tema central

Hipertensão crônica na gestação e prevenção de pré-eclâmpsia

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Captopril continua sendo IECA e não corrige o problema do enalapril; varfarina não é profilaxia de pré-eclâmpsia.

B · incorreta

Incorreta. Furosemida não é a primeira escolha para hipertensão crônica estável na gestação e varfarina não tem papel preventivo nesse cenário.

C · incorreta

Incorreta. Losartana é BRA e também é fetotóxica; enoxaparina não substitui AAS na prevenção de pré-eclâmpsia sem outra indicação anticoagulante.

D · correta

Correta. Reúne anti-hipertensivo compatível, AAS em baixa dose e suplementação de cálcio para paciente de alto risco.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, IECA e BRA já eram contraindicados na gestação. Para hipertensão crônica, metildopa permanecia opção aceita no Brasil, enquanto diretrizes internacionais também utilizavam labetalol e nifedipino. AAS em baixa dose era recomendado para alto risco de pré-eclâmpsia, iniciado idealmente antes de 16 semanas, e cálcio era recomendado conforme protocolo e ingestão dietética.

  • Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco. 2022.
  • ACOG Practice Advisory on chronic hypertension in pregnancy after CHAP. 2022.

Como a recomendação está hoje

A prática atual mantém a retirada de IECA/BRA e a profilaxia com AAS em gestantes de alto risco. O ponto que evoluiu é a preferência por nifedipino de liberação prolongada e labetalol em muitos protocolos internacionais, enquanto metildopa segue opção válida, especialmente no contexto brasileiro e quando bem tolerada.

  • ACOG guidance vigente sobre hipertensão crônica na gestação.
  • WHO recommendations on prevention of pre-eclampsia, incluindo AAS e cálcio.

O que mudou — e o que não mudou

A alternativa D continua correta. A atualização principal é não ensinar metildopa como única ou universal 'droga de escolha': hoje labetalol e nifedipino também são opções de primeira linha em muitos protocolos. O núcleo — suspender IECA/BRA e oferecer AAS precoce em alto risco — permanece estável.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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