Ginecologia e Obstetrícia

Questão 99ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa A. Tema: Rotura Prematura Pré-Termo de Membranas.

Enunciado

Primigesta de 28 anos, 33 semanas, pré-natal de risco habitual, relata saída de líquido claro vaginal há 2 horas. Exame físico normal, sem contrações, altura uterina compatível, movimentos fetais presentes, BCF 140 bpm. Especular mostra líquido amniótico claro pelo colo. Já recebeu antibiótico e corticoterapia. Qual a conduta adequada após antibiótico e corticoterapia em gestante com RPM pré-termo de 33 semanas?

  1. Internação hospitalar e monitoramento materno-fetal diário.
  2. Internação hospitalar, cardiotocografia e indução imediata do parto.
  3. Alta, repouso domiciliar e monitoramento materno-fetal ambulatorial diário.
  4. Alta, repouso domiciliar e monitoramento materno-fetal ambulatorial semanal.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a A: Internação hospitalar e monitoramento materno-fetal diário.

Correção comentada

Revisado editorialmente

A conduta correta é a internação hospitalar com monitoramento materno-fetal diário (alternativa A). Na RPM pré-termo entre 24 e 34 semanas, sem sinais de infecção ou sofrimento fetal, a conduta é expectante, com vigilância clínica e laboratorial, corticoterapia e antibióticos para prolongar a latência.

Achados-chave

  • 33 semanas de gestação
  • saída de líquido amniótico claro ao especular
  • sem contrações
  • sinais vitais normais
  • BCF 140 bpm
  • antibiótico e corticoterapia já prescritos

Como pensar a questão

  1. Diagnóstico de RPM pré-termo: saída de líquido amniótico ao especular em gestante com 33 semanas.
  2. Avaliar idade gestacional, sinais de infecção e vitalidade fetal: todos normais.
  3. Conduta expectante para RPM entre 24 e 34 semanas: internação hospitalar.
  4. Monitoramento diário da vitalidade fetal e sinais de infecção.
  5. Corticoterapia e antibióticos já iniciados, manter antibioticoprofilaxia.
  6. Indução do parto apenas se complicações como corioamnionite ou sofrimento fetal.

Conceito central

A rotura prematura pré-termo de membranas (RPM-P) é a rotura das membranas corioamnióticas antes de 37 semanas e antes do início do trabalho de parto. O diagnóstico é clínico, pela visualização de líquido amniótico ao exame especular, sendo o padrão-ouro. A conduta depende da idade gestacional, presença de infecção e vitalidade fetal. Entre 24 e 34 semanas, a conduta é expectante, com internação hospitalar, monitoramento materno-fetal diário, corticoterapia para maturação pulmonar e antibioticoterapia para prolongar o período de latência e prevenir infecção por estreptococos do grupo B. A resolução da gestação é indicada em casos de corioamnionite, sofrimento fetal, trabalho de parto, descolamento prematuro de placenta ou óbito fetal. A tocólise é contraindicada. O prognóstico fetal é melhor com o prolongamento da gestação, desde que não haja infecção.

Regra de bolso

RPM pré-termo entre 24 e 34 semanas: internação, vigilância diária, corticoide e antibiótico; parto só se complicar.

Tema central

Rotura prematura pré-termo de membranas: latência, corticoterapia, antibiótico e critérios de resolução.

Alternativa por alternativa

A · correta

Correta. Internação e monitoramento são coerentes com conduta expectante em PPROM estável com 33 semanas.

B · incorreta

Incorreta. Não há indicação de indução imediata apenas pela rotura aos 33 semanas sem complicações.

C · incorreta

Incorreta. Seguimento ambulatorial diário não oferece a mesma segurança para detectar deterioração aguda.

D · incorreta

Incorreta. Seguimento semanal domiciliar é ainda menos adequado.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, protocolos obstétricos já recomendavam manejo expectante hospitalar da PPROM antes de 34 semanas na ausência de infecção, trabalho de parto avançado ou comprometimento fetal, associado a corticoterapia e antibiótico de latência.

  • Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco. 2022; ACOG Practice Bulletin No. 217.

Como a recomendação está hoje

A prática atual mantém o mesmo eixo: conduta expectante em paciente estável, vigilância para infecção e deterioração fetal, corticoterapia e antibiótico de latência, com individualização de medidas adicionais conforme idade gestacional e protocolo local.

  • ACOG/Ministério da Saúde guidance vigente consultada em 2026.

O que mudou — e o que não mudou

Sem mudança estrutural importante. A principal nuance é evitar afirmações absolutas sobre tocolíticos e individualizar o momento exato de resolução conforme protocolo e evolução clínica.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • Rotura Prematura de Membranas (Febrasgo, null)
  • Manual de Gestação de Alto Risco (Ministério da Saúde, 2022)
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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