A · incorreta
Cardiopatia ducto-dependente é diferencial importante no neonato em choque, mas a presença de onfalite favorece fortemente sepse. Além disso, 'evitar volume' de forma absoluta não descreve a abordagem de choque séptico.
Resposta correta: alternativa D. Tema: Sepse Neonatal.
Recém-nascido de 14 dias, hipoativo, desconforto respiratório, cianose, SpO2 82%, taquipneia (70 irpm), taquicardia (160 bpm), pulsos débeis, TPC 5s, abdome globoso, fígado 2,5 cm, hiperemia e edema no coto umbilical. Parto domiciliar sem pré-natal. Qual o diagnóstico e as condutas adequadas?
A alternativa correta é a D: Choque distributivo; suporte ventilatório, fluido cristaloide, manutenção, antibióticos e vasoativos.
Revisado editorialmente
O diagnóstico é choque séptico (distributivo) secundário a sepse neonatal tardia, com foco em onfalite. Condutas: suporte ventilatório, acesso venoso, expansão com cristaloide isotônico (20 mL/kg), hidratação de manutenção, antibióticos empíricos e fármacos vasoativos se necessário.
A sepse neonatal é uma síndrome clínica de infecção sistêmica em recém-nascidos, podendo ser precoce (<48h) ou tardia (>48h). Fatores de risco incluem prematuridade, baixo peso, parto domiciliar, falta de pré-natal, e infecções maternas. A onfalite é uma infecção do coto umbilical, geralmente por bactérias como Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes, e anaeróbios, que pode progredir para sepse. O diagnóstico é clínico, com sinais inespecíficos como desconforto respiratório, letargia, má perfusão, instabilidade térmica. O tratamento inclui suporte (ventilação, volume), antibióticos empíricos (ampicilina + gentamicina ou cefotaxima), e vasoativos se choque. O choque séptico é um tipo de choque distributivo, com vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, e hipovolemia relativa. A conduta inicial é reposição volêmica com cristaloide (20 mL/kg), seguida de vasopressores se persistir hipotensão. A hipotensão é um sinal tardio em crianças, portanto a perfusão tecidual deve ser avaliada.
RN com onfalite e sinais de choque: pense em sepse, trate com volume e antibióticos.
Choque séptico neonatal com provável foco em onfalite
Cardiopatia ducto-dependente é diferencial importante no neonato em choque, mas a presença de onfalite favorece fortemente sepse. Além disso, 'evitar volume' de forma absoluta não descreve a abordagem de choque séptico.
Choque neurogênico exigiria contexto neurológico/medular que não existe. Corticoide também não é tratamento padrão inicial para este cenário.
Pneumotórax hipertensivo causaria sinais torácicos mais específicos, como assimetria ventilatória importante. Não há base para descompressão torácica empírica neste caso.
Correta. O foco infeccioso associado a hipoperfusão define o raciocínio de sepse com choque distributivo: suporte, fluidos titulados, antibióticos e vasoativos conforme resposta.
Em 2025, a abordagem pediátrica vigente já enfatizava antibiótico precoce, ressuscitação com cristaloide em bolus menores e reavaliação frequente, evitando cargas volumétricas fixas e repetidas sem avaliar hepatomegalia, crepitações, perfusão e pressão. No neonato, a escolha antimicrobiana depende da epidemiologia local e do foco; onfalite grave exige cobertura para patógenos cutâneos e gram-negativos, com avaliação de anaeróbios conforme extensão clínica.
A prática atual mantém o mesmo núcleo: suporte respiratório, antibiótico imediato após culturas se isso não causar atraso, fluidos cuidadosamente titulados e início precoce de vasoativo quando a perfusão não melhora ou quando há risco de sobrecarga. Em recém-nascidos, deve-se evitar a leitura simplista de '20 mL/kg sempre'; a ressuscitação é individualizada e frequentemente usa alíquotas menores com reavaliação muito próxima.
O gabarito D permanece correto. A principal atualização pedagógica é de intensidade e segurança da ressuscitação: a resposta antiga descrevia '20 mL/kg' como se fosse uma regra universal; hoje o ensino deve destacar bolus titulados, reavaliação após cada etapa e transição precoce para vasoativo quando necessário, sobretudo no neonato vulnerável à sobrecarga.
INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.
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