Ginecologia e Obstetrícia

Questão 39ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa D. Tema: Gestação Prolongada.

Enunciado

Primigesta de 29 anos, 41 semanas de gestação, pré-natal de risco habitual, assintomática, movimentação fetal presente, exame físico normal, perfil biofísico fetal normal há 1 dia. Preocupada com a duração da gravidez e deseja saber os próximos passos. Qual a conduta para gestação de 41 semanas com vitalidade fetal normal?

  1. Repouso domiciliar e indução após 42 semanas.
  2. Dopplervelocimetria obstétrica para avaliar bem-estar fetal.
  3. Amnioscopia para verificar presença de mecônio.
  4. Perfil biofísico fetal e cardiotocografia a cada 2-3 dias e indução até 41 semanas e 6 dias.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a D: Perfil biofísico fetal e cardiotocografia a cada 2-3 dias e indução até 41 semanas e 6 dias.

Correção comentada

Revisado editorialmente

A conduta é realizar vigilância da vitalidade fetal com cardiotocografia e perfil biofísico fetal a cada 2-3 dias e planejar a indução do parto entre 41 e 41 semanas e 6 dias, evitando ultrapassar 42 semanas.

Achados-chave

  • 41 semanas de gestação
  • assintomática
  • perfil biofísico fetal normal há 1 dia
  • pré-natal de risco habitual

Como pensar a questão

  1. Identificar gestação de 41 semanas, caracterizando gestação prolongada.
  2. Reconhecer que a vitalidade fetal deve ser avaliada com cardiotocografia e perfil biofísico fetal.
  3. Programar indução do parto antes de 42 semanas para reduzir riscos.
  4. Descartar Doppler e amnioscopia por falta de benefício nesse contexto.

Conceito central

A gestação prolongada é definida como aquela que atinge 42 semanas ou mais. A conduta obstétrica visa evitar complicações perinatais, realizando vigilância fetal e indução do parto. A vigilância da vitalidade fetal deve ser iniciada a partir de 40 semanas, com cardiotocografia e perfil biofísico fetal a cada 2-3 dias. A indução do parto é recomendada entre 41 e 42 semanas, pois estudos mostram redução de cesáreas e menor morbimortalidade. A Dopplervelocimetria não é útil nesse cenário, e a amnioscopia não é recomendada. A partir de 42 semanas, a indução é obrigatória.

Regra de bolso

Gestação de 41 semanas: vigilância fetal e indução antes de 42 semanas.

Tema central

Gestação de termo tardio: vigilância fetal e momento da indução

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Repouso domiciliar não reduz risco e esperar para só induzir depois de 42 semanas posterga intervenção recomendada.

B · incorreta

Incorreta como estratégia de rotina. Dopplervelocimetria é útil em cenários específicos, como restrição de crescimento e doença placentária, não como principal método isolado apenas por 41 semanas.

C · incorreta

Incorreta. Amnioscopia não é método moderno de rotina para decidir manejo do termo tardio.

D · correta

Correta segundo o gabarito e claramente a melhor das opções: combina vigilância com indução antes de 42 semanas. A ressalva contemporânea é que diretrizes como a OMS recomendam oferecer indução a partir de 41+0.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, recomendações já reconheciam aumento progressivo de risco após 41 semanas e aceitavam indução entre 41+0 e antes de 42+0. Vigilância fetal seriada era usada quando o parto ainda não havia ocorrido.

  • WHO recommendations on induction of labour at or beyond term. 2022.
  • ACOG Practice Bulletin No. 146: Management of Late-Term and Postterm Pregnancies.

Como a recomendação está hoje

A prática atual mantém indicação de não prolongar desnecessariamente a gestação de risco habitual além de 41 semanas. A OMS recomenda indução a partir de 41+0 quando a idade gestacional é conhecida com segurança; vigilância não deve ser usada como justificativa para adiar indefinidamente o parto.

  • World Health Organization. WHO recommendations on induction of labour, at or beyond term. 2022, recomendação vigente consultada em 2026.
  • FEBRASGO. Recomendações vigentes sobre indução do parto e gestação prolongada.

O que mudou — e o que não mudou

A alternativa D continua sendo a melhor opção da prova, mas a correção deve deixar claro que 41+6 não é um alvo desejável de espera. Em 2026, a formulação mais atual é oferecer indução quando a gestação atinge 41+0 semanas, com vigilância apenas enquanto se organiza o parto ou quando a paciente opta por aguardar após decisão compartilhada.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • INEP — ENAMED 2025, Caderno 1: https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • INEP — ENAMED 2025, Gabarito definitivo v2, Caderno 1: https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • World Health Organization. WHO recommendations on induction of labour, at or beyond term. Geneva: WHO; 2022.
  • American College of Obstetricians and Gynecologists. Practice Bulletin No. 146. Obstet Gynecol. 2014;124:390-396.
  • FEBRASGO. Protocolos e recomendações sobre indução do parto e gestação prolongada.

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