Clínica Médica

Questão 29ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa A. Tema: Acidente Vascular Encefálico Isquêmico Agudo.

Enunciado

Homem de 68 anos, com HAS, DM e FA irregulares, apresenta rebaixamento de consciência e hemiparesia esquerda de predomínio braquiofacial. Visto bem há 90 minutos, chegou ao hospital 30 minutos após o déficit. Glasgow 9, PA 170x100 mmHg, FC irregular 96 bpm, glicemia 285 mg/dL. TC de crânio mostra hipodensidade em 40% do território da ACM direita, laudo obtido 3 horas após o último momento assintomático. Qual a contraindicação à terapia trombolítica nesse paciente?

  1. Extensão de isquemia superior a 1/3 do território da artéria cerebral média acometida.
  2. Período de tempo superior ao limite máximo tolerável desde o início do déficit.
  3. Glicemia acima de 200 mg/dL com intervalo maior do que 2 horas pós-prandial.
  4. Níveis pressóricos superiores aos permitidos para o uso do fármaco.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a A: Extensão de isquemia superior a 1/3 do território da artéria cerebral média acometida.

Correção comentada

Revisado editorialmente

A contraindicação à trombólise é a extensão da isquemia superior a 1/3 do território da artéria cerebral média, conforme critério da AHA. O paciente está dentro da janela de 4,5 horas, com glicemia e PA dentro dos limites permitidos.

Achados-chave

  • Idade 68 anos
  • Déficit neurológico súbito há 90 minutos
  • TC com hipodensidade em 40% do território da ACM direita
  • PA 170x100 mmHg
  • Glicemia 285 mg/dL
  • FA irregular

Como pensar a questão

  1. Identificar o diagnóstico: AVC isquêmico agudo na ACM direita.
  2. Calcular o tempo desde o início dos sintomas: 90 minutos (dentro da janela de 4,5h).
  3. Verificar contraindicações: TC mostra hipodensidade >1/3 do território da ACM.
  4. Analisar PA (170x100) e glicemia (285) – ambos dentro dos limites.
  5. Concluir que a única contraindicação é a extensão da lesão isquêmica.

Conceito central

O acidente vascular encefálico isquêmico (AVCi) é uma emergência neurológica. O tratamento agudo visa recanalização do vaso ocluído, seja por trombólise intravenosa (alteplase) ou trombectomia mecânica. A trombólise é indicada em até 4,5 horas do início dos sintomas, após exclusão de hemorragia por neuroimagem. Critérios de contraindicação incluem: hipodensidade >1/3 do território da ACM na TC, PA ≥185/110 mmHg, glicemia <50 ou >400 mg/dL, uso de anticoagulantes com INR >1,7, cirurgia recente, entre outros. A extensão da lesão isquêmica é um fator prognóstico importante, pois áreas extensas têm maior risco de transformação hemorrágica com trombólise. A decisão deve ser individualizada, considerando a janela terapêutica, o déficit neurológico e a viabilidade do tecido cerebral.

Regra de bolso

Na trombólise, lembre: janela de 4,5h, PA <185/110, glicemia 60-400, e TC sem hipodensidade >1/3 da ACM.

Tema central

Elegibilidade para trombólise intravenosa no AVC isquêmico agudo

Alternativa por alternativa

A · correta

Correta segundo o enquadramento clássico da questão: extensa hipodensidade precoce em território da ACM sugere grande core isquêmico e maior risco de transformação hemorrágica. Hoje, a decisão é mais contextual e não deve ser reduzida isoladamente a essa fração anatômica.

B · incorreta

Incorreta. Cerca de três horas desde o último momento bem permanecem dentro da janela convencional de trombólise intravenosa quando os demais critérios são atendidos.

C · incorreta

Incorreta. Glicemia de 285 mg/dL requer manejo, mas não corresponde ao impeditivo principal que a alternativa pretende representar.

D · incorreta

Incorreta. PA 170x100 mmHg está abaixo do limite de 185/110 mmHg exigido antes de trombólise intravenosa.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, referências consolidadas de AVC isquêmico ainda sustentavam trombólise IV em pacientes elegíveis dentro da janela habitual, com PA abaixo de 185/110 mmHg e sem hemorragia. Sinais extensos de isquemia precoce na TC eram tratados com grande cautela por associarem-se a core amplo e maior risco hemorrágico.

  • Powers WJ et al. AHA/ASA Guidelines for the Early Management of Acute Ischemic Stroke. Stroke. 2019;50:e344-e418.
  • Berge E et al. ESO guidelines on intravenous thrombolysis. Eur Stroke J. 2021;6:I-LXII.

Como a recomendação está hoje

A prática contemporânea continua exigindo avaliação rápida de tempo, PA e imagem, porém decisões de reperfusão passaram a integrar de forma mais explícita ASPECTS, volume de core, imagem vascular/perfusão e possibilidade de trombectomia em oclusão de grande vaso. A extensão anatômica isolada não resume a elegibilidade global.

  • European Stroke Organisation guidance on intravenous thrombolysis and endovascular treatment, referências vigentes consultadas em 2026.
  • AHA/ASA acute ischemic stroke guidance vigente para seleção de reperfusão.

O que mudou — e o que não mudou

O gabarito continua compreensível dentro do modelo clássico usado pela prova, mas a forma de ensinar mudou: '>1/3 da ACM' não deve ser decorado como veto universal. Em 2026, a extensão do infarto é contextualizada com ASPECTS/core, tipo de oclusão e estratégia de reperfusão, especialmente quando há possibilidade de trombectomia mecânica.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke (American Heart Association/American Stroke Association, 2019)
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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