Medicina Preventiva e Social

Questão 34ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa B. Tema: Testes Diagnósticos: Sensibilidade e Especificidade.

Enunciado

Instituição de saúde pesquisa um novo teste de triagem para hanseníase com sensibilidade de 92% e especificidade de 65%, aplicado em população de baixa prevalência da doença. Pergunta-se sobre a interpretação correta dos resultados. Qual afirmação é correta sobre o teste de triagem para hanseníase?

  1. Quase todos os positivos serão verdadeiros, devido à alta sensibilidade.
  2. Número de falsos-positivos será elevado, devido à baixa especificidade e baixa prevalência.
  3. Número de falsos-negativos será elevado, reduzindo a detecção de casos.
  4. Alta sensibilidade torna o teste ideal para confirmação diagnóstica.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a B: Número de falsos-positivos será elevado, devido à baixa especificidade e baixa prevalência.

Correção comentada

Revisado editorialmente

Em baixa prevalência, o valor preditivo positivo é baixo, pois a maioria dos positivos são falsos-positivos, devido à especificidade de 65% e ao grande número de não doentes. O número de falsos-positivos é elevado, tornando a alternativa B correta.

Achados-chave

  • sensibilidade 92%
  • especificidade 65%
  • baixa prevalência
  • teste de triagem
  • valores preditivos

Como pensar a questão

  1. Sensibilidade alta (92%) detecta bem os doentes.
  2. Especificidade baixa (65%) gera muitos falsos-positivos.
  3. Em baixa prevalência, a maioria da população é não doente.
  4. 35% dos não doentes testam positivo, resultando em muitos falsos-positivos.
  5. VPP baixo, VPN alto.

Conceito central

Sensibilidade é a capacidade de um teste identificar corretamente os doentes (VP/(VP+FN)). Especificidade é a capacidade de identificar corretamente os não doentes (VN/(VN+FP)). Valores preditivos dependem da prevalência: em baixa prevalência, o VPP diminui e o VPN aumenta, mesmo com boa sensibilidade. Testes sensíveis são úteis para triagem (SnNOut), enquanto testes específicos são úteis para confirmação (SpPIn). No caso, com sensibilidade 92% e especificidade 65%, em população de baixa prevalência, o número de falsos-positivos é alto, pois 35% dos não doentes testam positivo, superando os verdadeiros positivos.

Regra de bolso

Baixa prevalência: muitos falsos-positivos, VPP baixo.

Tema central

Sensibilidade, especificidade e efeito da prevalência sobre valores preditivos

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Sensibilidade alta descreve desempenho entre pessoas que realmente têm a doença; não responde à chance de alguém com teste positivo estar doente, que depende do valor preditivo positivo.

B · correta

Correta. Especificidade de 65% implica 35% de falsos-positivos entre não doentes; em doença rara, o enorme denominador de pessoas saudáveis torna esse número absoluto particularmente relevante.

C · incorreta

Incorreta. Com sensibilidade de 92%, a proporção de falsos-negativos é de aproximadamente 8% entre os doentes — muito menor que o problema de falso-positivo sugerido pela baixa especificidade.

D · incorreta

Incorreta. Alta sensibilidade é desejável quando a prioridade é não perder casos; confirmação diagnóstica exige especificidade, razão de verossimilhança e contexto clínico adequados.

Diretriz vigente na época da prova

Este item não depende de uma diretriz clínica mutável, mas de princípios estáveis de epidemiologia clínica e teoria bayesiana. Em 2025, a interpretação correta já era que baixa prevalência reduz o valor preditivo positivo e que baixa especificidade aumenta falsos-positivos.

  • Fletcher RH, Fletcher SW, Fletcher GS. Clinical Epidemiology: The Essentials. 6th ed. 2021.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Rastreamento. Cadernos de Atenção Primária nº 29. 2010.

Como a recomendação está hoje

O conceito permanece inalterado em 2026: probabilidades pós-teste dependem da probabilidade pré-teste, e testes de triagem com especificidade insuficiente podem produzir grande carga de falsos-positivos em populações de baixa prevalência.

  • Princípios contemporâneos de epidemiologia clínica e interpretação bayesiana de testes diagnósticos.

O que mudou — e o que não mudou

Não há mudança temporal relevante. Trata-se de conceito matemático/epidemiológico estável; a correção deve ensinar a relação entre prevalência e valores preditivos, não inventar uma 'diretriz nova'.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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