Ginecologia e Obstetrícia

Questão 61ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa A. Tema: Candidíase Vulvovaginal.

Enunciado

Mulher de 35 anos, diabética, com laqueadura tubária, apresenta prurido genital e disúria terminal há 7 dias. Uso recente de antibiótico para abscesso dental. Exame especular: edema vulvar, hiperemia, fissura, corrimento esbranquiçado, teste das aminas negativo. Qual o tratamento para o agente etiológico mais provável?

  1. Miconazol, 1 aplicador, via vaginal, por 7 noites.
  2. Cefalexina, 2 g/dia, via oral, por 7 dias.
  3. Azitromicina 1 g/dia, via oral, por 10 dias.
  4. Metronidazol, 1 aplicador, via vaginal, por 10 noites.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a A: Miconazol, 1 aplicador, via vaginal, por 7 noites.

Correção comentada

Revisado editorialmente

O tratamento é miconazol vaginal por 7 noites, pois o quadro é de candidíase vulvovaginal não complicada, evidenciada por prurido, corrimento esbranquiçado, teste de aminas negativo e fatores de risco como diabetes e uso recente de antibiótico.

Achados-chave

  • prurido genital
  • disúria terminal
  • corrimento esbranquiçado
  • teste das aminas negativo
  • diabetes
  • uso recente de antibiótico

Como pensar a questão

  1. Identificar sintomas: prurido, disúria, corrimento esbranquiçado, fissura, edema.
  2. Teste de aminas negativo afasta vaginose bacteriana.
  3. Fatores de risco: diabetes e uso de antibiótico favorecem Candida.
  4. Diagnóstico: candidíase vulvovaginal.
  5. Tratamento de escolha: antifúngico tópico, como miconazol.

Conceito central

A candidíase vulvovaginal é uma infecção fúngica causada principalmente por Candida albicans. Os fatores de risco incluem diabetes mellitus, uso recente de antibióticos, gestação, imunossupressão e hábitos de higiene. O quadro clínico típico é prurido intenso, corrimento esbranquiçado em grumos, hiperemia, edema e fissuras vulvares, com pH vaginal ácido (<4,5) e teste de aminas negativo. O diagnóstico é clínico, podendo ser confirmado por microscopia com KOH 10%, que mostra hifas e pseudo-hifas, embora a sensibilidade seja limitada. O tratamento para casos não complicados inclui antifúngicos tópicos como miconazol, clotrimazol ou nistatina, por 1 a 7 dias, ou antifúngicos orais como fluconazol em dose única. Medidas adicionais incluem controle glicêmico e evitar antibióticos desnecessários. A resposta ao tratamento é geralmente boa, mas recorrências podem ocorrer em pacientes com fatores de risco persistentes.

Regra de bolso

Prurido + corrimento esbranquiçado + teste de aminas negativo = candidíase; tratar com antifúngico tópico.

Tema central

Candidíase vulvovaginal: reconhecimento clínico, fatores de complicação e escolha do antifúngico

Alternativa por alternativa

A · correta

Correta entre as alternativas. Miconazol intravaginal é um azólico eficaz contra candidíase vulvovaginal. O esquema de 7 dias é um regime reconhecido; em doença complicada/grave ou diabetes mal controlado, pode ser necessário prolongar o azólico tópico conforme protocolo.

B · incorreta

Incorreta. Cefalexina não possui atividade contra Candida e um antibiótico desnecessário ainda pode perpetuar a disbiose que favoreceu o quadro.

C · incorreta

Incorreta. Azitromicina atua contra determinados agentes bacterianos, como em alguns cenários de cervicite, e não trata candidíase vulvovaginal.

D · incorreta

Incorreta. Metronidazol é utilizado em vaginose bacteriana e tricomoníase, não possui atividade terapêutica adequada contra Candida.

Diretriz vigente na época da prova

Em 2025, protocolos nacionais e internacionais já tratavam candidíase vulvovaginal com azólicos tópicos ou fluconazol em casos não complicados, reservando esquemas mais prolongados para doença grave, recorrente ou em hospedeiras com fatores de complicação, como diabetes mal controlado.

  • Brasil. Ministério da Saúde. PCDT para Atenção Integral às Pessoas com IST — seção de candidíase vulvovaginal.
  • CDC. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021 — Vulvovaginal Candidiasis.

Como a recomendação está hoje

A prática atual mantém a mesma lógica: confirmar o fenótipo clínico, tratar com azólico apropriado e prolongar a terapia quando o episódio é grave/complicado ou quando há hospedeiro comprometido. A alternativa A continua clinicamente válida como melhor opção entre as oferecidas.

  • CDC. STI Treatment Guidelines — Vulvovaginal Candidiasis, versão vigente consultada em 2026.
  • Brasil. Ministério da Saúde. PCDT IST, versão vigente consultada em 2026.

O que mudou — e o que não mudou

Não houve mudança de eixo entre 2025 e 2026. O principal refinamento editorial é evitar chamar automaticamente o caso de 'não complicado' só porque é um primeiro episódio: diabetes mal controlado, doença grave, recorrência ou espécie não-albicans podem mudar classificação e duração do tratamento.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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