A · análise
Laparotomia é excessiva para paciente estável sem peritonite generalizada ou falha de manejo menos invasivo.
Esta questão foi anulada no gabarito definitivo. O tema central é Diverticulite aguda complicada.
Questão anulada no gabarito definitivo
Homem de 66 anos, pós-operatório precoce de revascularização cardíaca, apresenta dor abdominal progressiva em quadrante inferior esquerdo há 5 dias, piora há 1 dia, com aumento do número de evacuações para 3 vezes ao dia e febre não aferida. Exame físico: bom estado geral, eupneico, PA 110x60 mmHg, temperatura 38°C, FC 100 bpm. Abdome com defesa voluntária, dor à palpação e massa em QIE. Toque retal: massa flutuante dolorosa à esquerda. TC com contraste: densificação dos planos gordurosos adjacentes ao sigmoide e coleção de 100 mm³. Após iniciada a antibioticoterapia sistêmica, qual é a conduta mais adequada para esse paciente?
Revisado editorialmente
Status oficial: Esta questão foi anulada no gabarito definitivo e é preservada para estudo editorial.
A conduta mais adequada é a drenagem percutânea guiada por tomografia, pois o paciente apresenta diverticulite aguda complicada com abscesso pericólico (Hinchey I) passível de drenagem. A antibioticoterapia já foi iniciada, e a drenagem percutânea é o padrão para abscessos >4 cm, evitando cirurgia de urgência.
A diverticulite aguda é a inflamação dos divertículos do cólon, mais comum no sigmoide. A classificação de Hinchey auxilia no tratamento: I (abscesso pericólico), II (abscesso pélvico), III (peritonite purulenta) e IV (peritonite fecal). Para Hinchey I e II, o tratamento inicial é clínico com antibióticos e, se abscesso >4 cm, drenagem percutânea guiada por imagem. A cirurgia é reservada para Hinchey III/IV ou falha do tratamento clínico. A drenagem percutânea é menos invasiva e reduz a morbidade. A colonoscopia não é indicada na fase aguda. O diagnóstico é clínico e tomográfico, com achados de espessamento parietal, densificação da gordura e coleções.
Abscesso pericólico >4 cm: drenar por imagem; peritonite: operar.
Diverticulite aguda complicada por abscesso: antibiótico versus drenagem percutânea
Laparotomia é excessiva para paciente estável sem peritonite generalizada ou falha de manejo menos invasivo.
Tratamento clínico conservador pode ser apropriado para abscessos pequenos e paciente estável, razão pela qual esta alternativa compete de forma plausível com a originalmente apontada.
Colonoscopia não é via padrão para drenar abscesso pericólico na fase aguda e pode aumentar risco de perfuração.
Era a resposta inicialmente esperada, pois drenagem percutânea é apropriada para abscessos maiores e acessíveis. Porém o tamanho descrito no item não sustenta claramente esse critério; a questão foi anulada.
Em 2025, diretrizes WSES e ASCRS já distinguiam abscessos pequenos, frequentemente tratados com antibióticos, de coleções maiores e acessíveis, em que drenagem percutânea deve ser considerada. Os pontos de corte variavam entre recomendações, em geral na faixa aproximada de 3 a 5 cm, razão pela qual uma coleção expressa apenas como 100 mm³ não sustenta a indicação obrigatória de drenagem.
A prática atual permanece baseada em tamanho da coleção, acessibilidade, estabilidade, resposta ao antibiótico e presença de peritonite. Drenagem percutânea não é um reflexo automático diante de qualquer coleção; cirurgia é reservada para peritonite, deterioração clínica, falha do tratamento não operatório ou anatomia que inviabilize controle adequado do foco.
Não houve mudança conceitual que resolva a ambiguidade da questão. Tanto na época quanto hoje, o tamanho real do abscesso e a condição clínica definem a necessidade de drenagem. Como o enunciado não fornece um diâmetro compatível com os limiares usados nas diretrizes e a questão foi anulada, não se deve transformar D em gabarito retrospectivo.
INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.
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