Ginecologia e Obstetrícia

Questão 4ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa D. Tema: Endometriose.

Enunciado

Paciente de 30 anos procura ginecologista com fadiga, dismenorreia progressiva e dispareunia de profundidade. Ao toque vaginal, útero de volume normal, retroversofletido, com dor à mobilização do colo. Qual a principal hipótese diagnóstica para o quadro apresentado?

  1. Doença inflamatória pélvica.
  2. Miomatose uterina.
  3. Cisto hemorrágico.
  4. Endometriose.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a D: Endometriose.

Correção comentada

Revisado editorialmente

A principal hipótese é endometriose, devido à tríade clássica de dismenorreia progressiva, dispareunia de profundidade e achados de útero retroversofletido e dor à mobilização do colo. O diagnóstico é clínico, mas confirmado por videolaparoscopia com biópsia.

Achados-chave

  • Dismenorreia progressiva
  • Dispareunia de profundidade
  • Útero retroversofletido
  • Dor à mobilização do colo
  • Fadiga

Como pensar a questão

  1. Identificar sintomas clássicos: dismenorreia progressiva e dispareunia de profundidade.
  2. Observar achados ao exame físico: útero retroversofletido e dor à mobilização do colo.
  3. Considerar endometriose como principal hipótese, pois esses sinais são característicos.
  4. Excluir outras causas: DIP (sem corrimento/febre), mioma (sem sangramento), cisto (sem abdome agudo).

Conceito central

A endometriose é uma doença ginecológica crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, mais comumente em ovários, ligamentos uterossacros e fundo de saco. A teoria mais aceita é a da menstruação retrógrada (teoria de Sampson). Os sintomas clássicos incluem dismenorreia progressiva, dispareunia de profundidade, dor pélvica crônica e infertilidade. Ao exame físico, podem ser encontrados útero retrovertido e fixo, nodulações no fundo de saco e dor à mobilização do colo. O diagnóstico definitivo é feito por videolaparoscopia com biópsia das lesões, mas a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética são úteis. O tratamento clínico baseia-se no bloqueio hormonal com anticoncepcionais, progestágenos, DIU de levonorgestrel, análogos do GnRH ou inibidores da aromatase. Em casos selecionados, a cirurgia pode ser indicada.

Regra de bolso

Dismenorreia progressiva + dispareunia de profundidade + útero retrovertido = endometriose até prova contrária.

Tema central

Reconhecimento clínico e abordagem diagnóstica contemporânea da endometriose

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta como hipótese principal. DIP pode causar dor à mobilização cervical, mas esse sinal não é específico. Sem febre, corrimento, sangramento anormal, contexto de IST ou quadro agudo/subagudo, e diante de dismenorreia progressiva com dispareunia profunda, endometriose integra melhor o caso.

B · incorreta

Incorreta. Miomas podem causar dor ou pressão pélvica, mas classicamente se associam a sangramento uterino anormal, aumento de volume uterino ou massa. O útero é de volume normal e a combinação de dismenorreia progressiva com dispareunia profunda favorece endometriose.

C · incorreta

Incorreta. Cisto hemorrágico ovariano é causa relevante de dor pélvica aguda/subaguda, frequentemente unilateral, e pode cursar com massa anexial. Não explica tão bem o padrão crônico e progressivo descrito.

D · correta

Correta. Endometriose é a hipótese que melhor integra dismenorreia progressiva, dispareunia profunda e achados pélvicos sugestivos de aderência/doença posterior.

Diretriz vigente na época da prova

Na época do ENAMED 2025, a ESHRE 2022 já havia abandonado a ideia de que toda suspeita de endometriose exigia laparoscopia diagnóstica como padrão-ouro obrigatório. A recomendação era usar imagem — ultrassonografia ou ressonância — na investigação, reconhecendo que resultado negativo não exclui doença superficial; laparoscopia poderia ser considerada quando a imagem fosse negativa e o tratamento empírico fosse inadequado ou malsucedido. A atualização NICE de 2024 também recomendava ultrassonografia transvaginal para todas as pacientes com suspeita de endometriose, mesmo com exame físico normal.

  • Becker CM et al. ESHRE guideline: endometriosis. Human Reproduction Open. 2022;2022(2):hoac009.
  • NICE Guideline NG73. Endometriosis: diagnosis and management. Diagnostic recommendations updated November 2024.

Como a recomendação está hoje

Em 2026, o diagnóstico continua centrado em suspeita clínica e imagem. O NICE NG73 mantém recomendação de ultrassonografia transvaginal para suspeita de endometriose e orienta não excluir a doença diante de exame ou ultrassom normais; ultrassom especializado ou ressonância são úteis para doença profunda. A laparoscopia continua disponível para diagnóstico e tratamento em cenários selecionados, mas não é requisito universal para iniciar manejo em toda paciente sintomática.

  • NICE Guideline NG73. Endometriosis: diagnosis and management. Current recommendations accessed in 2026; major diagnostic update November 2024.
  • European Society of Human Reproduction and Embryology. Endometriosis Guideline, 2022.

O que mudou — e o que não mudou

A hipótese diagnóstica da prova não mudou: endometriose continua sendo a resposta correta. A principal atualização em relação ao ensino tradicional é a via diagnóstica. Em 2025 e hoje, já não é adequado afirmar que 'o diagnóstico definitivo sempre depende de videolaparoscopia com biópsia'. Clínica e imagem têm papel central; laparoscopia é reservada a contextos selecionados. Portanto, a correção deve preservar D como resposta e corrigir explicitamente o dogma antigo da laparoscopia obrigatória.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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