Clínica Médica

Questão 26ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa C. Tema: Dengue.

Enunciado

Homem, 34 anos, febre 38,5°C, mialgia há 3 dias, hoje dor abdominal e vômitos incontroláveis. Exame: mucosas coradas, extremidades perfundidas, PA 120x80, FR 20, FC 80, dor leve à palpação abdominal. Qual a hipótese diagnóstica e o manejo para este paciente com suspeita de dengue?

  1. Dengue grupo B. Hidratação oral, analgésico, antiemético; hemograma, plaquetas, NS1; acompanhamento domiciliar.
  2. Dengue grupo C. Hidratação oral, analgésico, antiemético; hemograma, plaquetas, IgM; acompanhamento ambulatorial.
  3. Dengue grupo C. Hidratação parenteral, analgésico, antiemético; hemograma, plaquetas, NS1; leito de observação.
  4. Dengue grupo B. Hidratação parenteral, analgésico, antiemético; hemograma, plaquetas, NS1 e IgM; leito de observação.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a C: Dengue grupo C. Hidratação parenteral, analgésico, antiemético; hemograma, plaquetas, NS1; leito de observação.

Correção comentada

Revisado editorialmente

O paciente apresenta dengue grupo C devido a sinais de alarme (dor abdominal e vômitos persistentes). O manejo inclui hidratação parenteral, analgésico, antiemético, solicitação de hemograma, plaquetas e NS1, e internação em leito de observação até estabilização.

Achados-chave

  • febre 38,5°C
  • mialgia há 3 dias
  • dor abdominal
  • vômitos incontroláveis
  • sinais de alarme

Como pensar a questão

  1. Identificar sinais de alarme: dor abdominal e vômitos persistentes.
  2. Classificar como dengue grupo C.
  3. Indicar hidratação parenteral e internação.
  4. Solicitar exames: hemograma, plaquetas e NS1 (3º dia de sintomas).
  5. Iniciar tratamento sintomático com analgésico e antiemético.

Conceito central

A dengue é uma doença febril aguda transmitida por mosquitos, com espectro clínico variando de formas oligossintomáticas a graves. A classificação de risco da OMS divide em grupos A, B, C e D. O grupo A inclui pacientes sem sinais de alarme, sem comorbidades e sem condições especiais, tratados com hidratação oral e acompanhamento ambulatorial. O grupo B inclui pacientes sem sinais de alarme, mas com sangramento de pele, comorbidades ou condições especiais, necessitando de hemograma e hidratação oral, com reavaliação. O grupo C é definido pela presença de sinais de alarme, como dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, sangramento de mucosa, letargia, hepatomegalia, aumento progressivo do hematócrito, hipotensão postural. Esses pacientes requerem internação hospitalar e hidratação parenteral. O grupo D inclui choque, sangramento grave ou disfunção orgânica, necessitando de UTI. O diagnóstico laboratorial depende do tempo de doença: até o 5º dia, o antígeno NS1 é o exame de escolha; após o 5º dia, a sorologia IgM é útil. O manejo adequado é crucial para prevenir complicações e óbitos.

Regra de bolso

Dor abdominal e vômitos persistentes = grupo C: hidratação parenteral e internação.

Tema central

Classificação de risco e manejo da dengue com sinais de alarme

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. O paciente não é grupo B porque já apresenta sinais de alarme; acompanhamento domiciliar é insuficiente.

B · incorreta

Incorreta. A classificação como grupo C está certa, mas hidratação apenas oral e seguimento ambulatorial não correspondem ao manejo do grupo C; IgM no início da doença também pode estar negativa.

C · correta

Correta. Reconhece grupo C, hidratação parenteral, investigação laboratorial compatível com fase inicial e observação hospitalar.

D · incorreta

Incorreta. A estratégia de hidratação se aproxima do grupo C, mas a classificação como B e a combinação de exames sem considerar a fase clínica tornam a alternativa inadequada.

Diretriz vigente na época da prova

Na data da prova, o manual brasileiro de dengue já classificava dor abdominal intensa/contínua e vômitos persistentes como sinais de alarme. A presença desses achados colocava o paciente no grupo C, com hidratação venosa, exames seriados e observação hospitalar, mesmo sem choque.

  • Brasil. Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico: adulto e criança. 6ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2024.

Como a recomendação está hoje

A prática atual mantém a mesma lógica: sinais de alarme exigem escalonamento imediato do cuidado, hidratação parenteral guiada por resposta, monitorização clínica e laboratorial e vigilância para progressão a choque ou disfunção orgânica.

  • Brasil. Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico: adulto e criança. 6ª ed. 2024, referência nacional vigente para manejo clínico.
  • Organização Pan-Americana da Saúde. Diretrizes para diagnóstico clínico e tratamento da dengue, versão vigente consultada em 2026.

O que mudou — e o que não mudou

Não houve mudança conceitual relevante entre a prova e a prática atual: dor abdominal importante e vômitos persistentes continuam sendo sinais de alarme e continuam mudando o caso para manejo de grupo C. A evolução está mais na ênfase em hidratação titulada e monitorização do que na classificação central cobrada.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • Dengue: diagnóstico e manejo clínico (Ministério da Saúde, null)
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

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