Ginecologia e Obstetrícia

Questão 18ENAMED 2025

Resposta correta: alternativa D. Tema: Síndrome de insensibilidade androgênica.

Enunciado

Paciente de 16 anos, fenótipo feminino, procura ambulatório por amenorreia primária, pois colegas já menstruaram. Apresenta pelos pubianos e axilares esparsos. Exames: ausência de útero à USG pélvica, FSH normal, testosterona sérica em níveis masculinos e cariótipo 46 XY. Qual a principal hipótese diagnóstica?

  1. Disgenesia gonadal.
  2. Malformação mülleriana.
  3. Obstrução do trato genital.
  4. Insensibilidade androgênica.

Gabarito oficial

A alternativa correta é a D: Insensibilidade androgênica.

Correção comentada

Revisado editorialmente

A principal hipótese é a síndrome de insensibilidade androgênica, pois a paciente tem cariótipo 46 XY, fenótipo feminino, ausência de útero e testosterona em níveis masculinos. O defeito no receptor de androgênios impede a virilização, mas a produção de HAM pelos testículos inibe o desenvolvimento mülleriano.

Achados-chave

  • amenorreia primária
  • fenótipo feminino
  • ausência de útero
  • testosterona em níveis masculinos
  • cariótipo 46 XY

Como pensar a questão

  1. Identificar amenorreia primária com fenótipo feminino.
  2. Observar ausência de útero e testosterona masculina.
  3. Reconhecer cariótipo 46 XY.
  4. Correlacionar com defeito no receptor de androgênios.
  5. Excluir outras causas de amenorreia com base nos achados.

Conceito central

A síndrome de insensibilidade androgênica (SIA) é um distúrbio recessivo ligado ao X causado por mutações no gene do receptor de androgênios, resultando em resistência à ação da testosterona. Indivíduos com cariótipo 46 XY desenvolvem testículos que produzem testosterona e hormônio anti-mülleriano (HAM). O HAM leva à regressão dos ductos müllerianos, resultando em ausência de útero, trompas e terço superior da vagina. A testosterona, por não atuar, não promove a virilização da genitália externa, que se desenvolve como feminina, e os ductos de Wolff não se diferenciam em epidídimo, vesículas seminais e ductos deferentes. Na puberdade, há desenvolvimento de mamas devido à conversão periférica de testosterona em estrogênio, mas os pelos pubianos e axilares são escassos ou ausentes. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com cariótipo 46 XY, testosterona em níveis masculinos e FSH normal. O tratamento envolve reposição estrogênica, criação de neovagina e gonadectomia após a puberdade devido ao risco de malignização. O aconselhamento psicológico é fundamental.

Regra de bolso

Cariótipo 46 XY + fenótipo feminino + ausência de útero = insensibilidade androgênica.

Tema central

Amenorreia primária com ausência de útero em indivíduo 46,XY: síndrome de insensibilidade completa aos andrógenos

Alternativa por alternativa

A · incorreta

Incorreta. Disgenesia gonadal 46,XY costuma envolver gônadas disgenéticas com produção insuficiente de testosterona e AMH; como consequência, estruturas müllerianas podem estar presentes e o desenvolvimento puberal espontâneo é frequentemente inadequado. Testosterona em faixa masculina e ausência de útero favorecem CAIS, não disgenesia gonadal pura.

B · incorreta

Incorreta. A agenesia mülleriana/MRKH também causa ausência de útero e vagina superior curta, mas ocorre tipicamente em indivíduos 46,XX com ovários funcionantes, níveis de testosterona femininos e pilificação pubiana normal. O cariótipo 46,XY e a testosterona masculina tornam essa hipótese inadequada.

C · incorreta

Incorreta. Hímen imperfurado, septo vaginal transverso ou outras obstruções de trato de saída pressupõem útero presente e frequentemente cursam com dor cíclica, hematocolpo ou hematometra. Não explicam ausência de útero nem cariótipo 46,XY.

D · correta

Correta. A combinação 46,XY + testosterona em faixa masculina + ausência de útero + fenótipo feminino + poucos pelos é típica de insensibilidade completa aos andrógenos. A confirmação pode incluir avaliação do gene do receptor androgênico e abordagem multidisciplinar.

Diretriz vigente na época da prova

Na época do ENAMED 2025, referências de ginecologia e genética já distinguiam CAIS de agenesia mülleriana por testosterona em faixa masculina, cariótipo 46,XY, ausência de útero e pouca pilificação. O ACOG descrevia que testículos em CAIS produzem AMH, impedindo desenvolvimento uterino, e que a aromatização da testosterona permite feminização puberal. O manejo das gônadas já era reconhecido como tema de decisão compartilhada: o risco de malignidade antes da puberdade é baixo e a gonadectomia profilática, quando escolhida, costuma ser adiada até após completar puberdade para permitir feminização espontânea e participação da própria paciente na decisão.

  • American College of Obstetricians and Gynecologists. Müllerian Agenesis: Diagnosis, Management, and Treatment. Committee Opinion No. 728. Obstet Gynecol. 2018;131:e35-e42; differential diagnosis section on androgen insensitivity syndrome.
  • GeneReviews®. Androgen Insensitivity Syndrome. NCBI Bookshelf; updated resource available during 2025.

Como a recomendação está hoje

Em 2026, o diagnóstico permanece o mesmo, mas a abordagem é cada vez mais centrada em autonomia e decisão compartilhada. Gonadectomia em CAIS não deve ser apresentada como etapa automática imediata; o risco de tumor é muito baixo antes da puberdade, e a decisão pós-puberal é controversa e individualizada, levando em conta risco oncológico, benefício hormonal endógeno, saúde óssea, necessidade de reposição hormonal e preferências da paciente. Dilatação vaginal, quando necessária, é geralmente preferida a cirurgia como primeira abordagem para comprimento vaginal funcional.

  • GeneReviews®. Androgen Insensitivity Syndrome — management and controversy regarding postpubertal gonadectomy; current in 2026.
  • American College of Obstetricians and Gynecologists. Müllerian Agenesis: Diagnosis, Management, and Treatment — differential diagnosis and CAIS counseling principles.

O que mudou — e o que não mudou

Não houve mudança diagnóstica entre 2025 e 2026: D continua correta. A atualização relevante é terapêutica e ética. Correções antigas costumavam escrever 'gonadectomia após a puberdade' como passo obrigatório; hoje é mais adequado explicar que remoção das gônadas é uma decisão pós-puberal individualizada, discutida em equipe especializada, porque o risco de malignidade é baixo na juventude e há benefícios/ônus hormonais e psicossociais relevantes.

Fonte oficial

INEP · Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica 2025.

Caderno oficial ↗ · Gabarito oficial ↗

Referências

  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_caderno_1.pdf
  • https://download.inep.gov.br/enamed/provas_e_gabaritos/2025_gabarito_caderno_1_v2.pdf
  • https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enamed

Próximo passo

Estime seu desempenho nesta prova

Responda uma amostra equilibrada e receba uma estimativa por área, com prioridade de revisão.

Calcular minha nota aproximada

Continue estudando

Veja a prova completa e outras provas

Compare seu desempenho em outras edições e mantenha sua revisão organizada.

WhatsApp